Sam Hodgson/The New York Times
Sam Hodgson/The New York Times

Estamos dando cartão vermelho para a Fifa, diz chefe da Receita

'Este (esquema) é a Copa do Mundo da fraude', diz Richard Weber

ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, O Estado de S. Paulo

27 de maio de 2015 | 15h36

"Estamos dando hoje um cartão vermelho para a Fifa", afirmou o chefe de investigações criminais da Receita Federal dos Estados Unidos (IRS, na sigla em inglês), Richard Weber, em uma entrevista coletiva nesta quarta-feira ao comentar a investigação sobre um esquema de corrupção de dirigentes da entidade, com operações irregulares em várias competições, países e acordos com empresas de marketing. "Este (esquema) é a Copa do Mundo da fraude", disse ele.

Na coletiva, com mais de 100 jornalistas de todo o mundo, as autoridades afirmaram que as investigações são de um esquema de corrupção, extorsão e fraudes, que desviaram mais de US$ 150 milhões, segundo a procuradora-geral dos Estados Unidos, Loretta Lynch. "O objetivo das investigações é pôr um fim a este esquema", disse ela, ressaltando que as fraudes e irregularidades se estendem por mais de duas décadas, começando em 1991. Um único executivo da Fifa teria embolsado sozinho US$ 2 milhões em propinas, disse ela na sua apresentação. Além disso, ela ressaltou que a escolha da África do Sul para sediar a Copa do Mundo de 2010 teve o processo "corrompido".

O esquema de corrupção é sistêmico, abundante e com raízes fortes tanto nos Estados Unidos como no exterior, de acordo com a procuradora, que destacou que o esquema envolve ao menos duas gerações de executivos do futebol, que usaram suas posições privilegiadas na Fifa para receber "milhões de dólares" em propinas e definir a organização de torneios e suas cidades sedes, além de conseguir contratos milionários com patrocinadores. "A principal vítima é o futebol", disse a procuradora.

BANCOS

O Procurador-Geral de Nova York, Kelly Currie, afirmou na mesma entrevista que muito dessas propinas e lavagem de dinheiro passaram por bancos dos Estados Unidos e muitos destes recursos foram parar em paraísos fiscais e países como Suíça e Hong Kong. Questionando por jornalistas sobre os nomes dos bancos envolvidos, Currie preferiu não citar nomes. "Quero ser bem claro. Este é o começo, não o final das investigações", ressaltou. "Nosso objetivo é livrar o futebol internacional desse tipo de corrupção."

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