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Estevam culpa calendário por derrota

Há algo de muito errado no Palmeiras. Os jogadores acusaram o esquema defensivo pela derrota. Quem monta o esquema é o técnico. Estevam não assumiu a culpa, pelo contrário. Disse que pediu para o seu time atacar. Não obedeceram. Resultado: derrota e queda na tabela. A briga por uma vaga na Libertadores fica mais difícil.A situação só aumentará a pressão em cima do técnico. Vários conselheiros ligados ao presidente Mustafá Contursi defendem a necessidade de troca de técnico em 2005. "A gente tomou sufoco do início ao final do jogo. Parecia treino de ataque contra defesa. Não dá para ficar se defendendo 90 minutos. Uma hora iríamos tomar o gol. Foi o que aconteceu. O São Paulo atacou e o Palmeiras tentou se defender. A vitória deles foi mais do que justa", admitia Marcinho.Nem, que nunca gostou de dar entrevistas, não escondeu a sua ira neste sábado. "Esse jogo a gente não poderia perder. Faltavam dez segundos para a partida acabar. A gente tinha noção disso. Não dá para acontecer no Palmeiras. Não dá para ficar só correndo atrás do time adversário. Nós, na defesa, até que fomos bem. A bola não saiu da nossa área. Só eles jogaram para ganhar", dizia. "Eu não tenho medo de falar. Faltou atitude, vontade de ganhar, vestir a camisa do Palmeiras e ter coragem de correr atrás da vitória?, desabafou. ?Eu preciso apenas agarrar, o resto do time precisa jogar, procurar o gol. Isso não aconteceu aqui", dizia, irritadíssimo, o goleiro Sérgio.Tentando disfarçar o constrangimento, Estevam se encostou na parede da entrada do vestiário do Palmeiras, no Morumbi, e deu a sua versão para a derrota. "Pedi para os jogadores atacarem. Desde a entrada para o jogo até no intervalo. Repeti para os nossos meias encostarem no ataque e os nossos laterais também. Mas eles não fizeram o que pedi", afirmava. Mas bastou a sua autoridade de treinador começar a ser questionada que Estevam acabou descobrindo o candidato ideal para assumir a derrota. "O Palmeiras perdeu por causa do calendário. O São Paulo teve um dia a mais de descanso para se preparar para o clássico. Nós pegamos duas pedreiras seguidas. Jogamos contra o Vasco com o nosso time estressado psicologicamente porque não vencia há seis partidas. Depois o São Caetano. O desgaste foi imenso", destacava, falando em voz alta.Sem força - Estevam assegura que o caminho do time de Leão foi mais suave. "Eles jogaram contra o Grêmio no sábado e depois brincaram contra o Paysandu na terça. Ficaram nos esperando. Esse dia a mais de descanso pesou demais. O meu time não teve pernas, ficou travado em campo. Não teve força física para obedecer às minhas ordens."Percebendo que estava também transferindo a culpa para o departamento físico do clube, Estevam se comportou como chefe de reportagem aos repórteres. "Não vão entrevistar os preparadores físicos ou fisiologistas. O trabalho está sendo bem feito. O problema é o calendário. Por falta de sorte nos fizeram jogar na quarta-feira e no sábado."O técnico não queria também que fosse valorizado demais o clássico deste sábado. Como se a rivalidade histórica com o São Paulo não tivesse peso nenhum. Uma clara tentativa de minimizar as críticas ao seu trabalho. "Não terá peso nenhum o que aconteceu no Morumbi. Perdemos, mas a vida segue. Vamos treinar e jogar na quinta-feira contra o Paraná. Não vai ter efeito psicológico algum. Pelo contrário. Foi mais um jogo no Campeonato Brasileiro. Temos muitos outros pela frente."Mas não era assim que os jogadores encaravam a partida. Muito pelo contrário. Principalmente quem tem muito mais tempo de Palmeiras que Estevam Soares. "Perder no último lance para o São Paulo é péssimo. Esse clássico vale muito para nós e para a torcida. Eu não me conformo. Não tivemos nem a chance de colocar a bola no meio-de-campo e dar a saída. Não me conformo", dizia Pedrinho.Para o meia o Palmeiras sentiu muito a ausência de Magrão. O volante não jogou por estar suspenso. "Não dá mais para pensar no nosso time entrando em campo sem o Magrão. Ele virou referência, faz a diferença. Ele comanda a equipe nos momentos ruins. Foi muito ruim não tê-lo ao nosso lado." Pedrinho admitiu o óbvio. Foi muito bem marcado pelo time de Leão. "Não tive espaço para jogar. Tentei me deslocar, correr, mas estava sempre cercado por dois ou três. Não pude ajudar o Palmeiras como gostaria. Praticamente não joguei."Outra vez, Estevam discordou. Ele manteve a postura de não concordar em nada com seus jogadores. "O Pedrinho não foi tão marcado assim. Pelo contrário. Achei até que ele teve liberdade. Tanto que para mim foi um dos melhores em campo." O time voltará a campo contra o Paraná no Parque Antártica. Precisará ganhar para recuperar da doída derrota deste sábado.

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