Estevam Soares admite que foi ?fritado?

O celular de Estevam Soares, um dia depois de o técnico ser demitido pelo Palmeiras, não parou de tocar. Primeiro foi o zagueiro Daniel. Depois ligaram Magrão, Lúcio, o goleiro Marcos. Acompanhado da mulher Sandra e da filha Maria Carolina, o treinador mal conseguiu almoçar em um restaurante próximo do Parque Antártica. "Não saí do Palmeiras porque perdi o comando do grupo. E aí está a prova", diz o técnico, apontando para o seu telefone celular.Estevam, no entanto, admite que estava sendo ?fritado? há mais de 20 dias. Ele sabia que sua cabeça estava à prêmio desde a saída do ex-presidente Mustafá Contursi. "Nada contra o (Afonso) Della Monica (atual presidente), mas se o Mustafá estivesse na presidência duvido que eu teria sido demitido. O cacife do Mustafá é muito maior. Com toda certeza ele teria bancado a minha permanência."Apesar do respeito pelo atual presidente, Estevam tem plena consciência de que um grupo de conselheiros ?armou? a sua queda. "Sei que tem conselheiro até com certos interesses no Palmeiras", acusa o treinador, sem no entanto dar nomes ou explicar quais são esses interesses. "Melhor deixar isso para lá. Já saí mesmo, não adianta ficar fazendo acusações." Em relação às acusações de que alguns jogadores trabalharam nos bastidores para derrubá-lo, Estevam diz que até Pedrinho, que no passado liderou um movimento para trazer Paulo Cesar Gusmão, hoje se transformou em seu amigo. "Minha relação com o Pedrinho ficou muito boa", acrescentou.Na conversa durante o almoço Estevam dedicou um capítulo à parte ao caso Diego Souza. "Se eu pudesse voltar atrás, nem o teria colocado em campo naquele jogo. Tenho consciência de que o episódio precipitou a minha saída." Em seguida, o treinador disse que não guarda mágoa do meia. "Agora que não sou mais o técnico do Palmeiras, nem me interessa se ele saiu na sexta-feira à noite. Mas achei estranho ele ter dormido a tarde inteira e a noite toda na véspera do jogo contra o União São João. Além disso, ele entrou mal no jogo. Se eu soubesse, nem o teria colocado em campo. Seria melhor para todo mundo."Futuro - Quanto ao futuro, Estevam ainda não fez planos. Ele negou ter recebido uma proposta do Inter-RS. "Pelo que sei, o Muricy não sairá de lá." Se não houver nenhuma proposta de algum clube brasileiro, ele gostaria de tentar o mercado internacional. "Vou até para o Líbano, se tiver uma chance."Apesar de ter sido demitido, Estevam acha que sua passagem pelo Palmeiras pode ajudá-lo a conseguir um novo trabalho. "Não fui valorizado como deveria. Meus números são bons no Palmeiras. Classifiquei o time para a Libertadores e vinha fazendo uma boa campanha no Campeonato Paulista. Apesar de tudo, minha passagem pelo Palmeiras valorizou o meu currículo."

Agencia Estado,

16 de fevereiro de 2005 | 18h15

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