SERGIO CASTRO | ESTADÃO CONTEÚDO
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Estilo do Osasco Audax é adotado também na base do clube

É nas categorias menores da equipe de Osasco que os atletas aprendem a sair jogando e a evitar os chutões

Ciro Campos, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2016 | 07h00

Nas categorias base do Osasco Audax o goleiro treina ora como meia, às vezes como atacante e sempre pratica jogada com os pés. Os zagueiros de vez em quando se arriscam como pontas e quem é do setor ofensivo, também aprende a marcar. No time sensação do Campeonato Paulista e adversário do Corinthians neste sábado é desde menino que se aprende e se repete o estilo ousado do clube.

A aplicação da filosofia de jogo do elenco profissional desde as categorias de base tem exemplos de sucesso no futebol europeu, como no Barcelona. “O nosso objetivo é não contratar, mas usar da base, porque os garotos já sabem qual é o estilo de jogo”, explicou o técnico do time sub-17, Alexandre Silva.

A exigência da equipe profissional é receber atletas técnicos e cientes do estilo de jogo em que chutões são proibidos. Mesmos os goleiros e zagueiros devem iniciar as jogadas com passes curtos. O time costuma avançar ao ataque em bloco e sem lançamentos ou lances individuais.

“O marketing é algo que os clubes menores necessitam e temos isso em cima do nosso estilo de jogo, que é o mesmo desde os garotos mais jovens”, disse com orgulho o presidente do Osasco Audax, o ex-jogador Vampeta. O agora dirigente enumerou uma lista de feitos para provar que a filosofia dá certo: o sub-15 foi campeão paulista ano passado em cima do Santos e o sub-20, foi vice do Estadual em 2014. Do elenco profissional, cinco vieram da base.

O Estado visitou o local de treino do elenco sub-17, na periferia do Osasco. Os garotos fizeram uma atividade em espaço reduzido, somente em metade do gramado. A bola passava pelos defensores sem chutões. Os times tinham de se movimentar bastante para receber a bola e todos demonstravam já entender a necessidade do clube. Os atletas gritavam muito para orientar a saída de jogo com passes curtos.

A maior exigência desse sistema recai sobre os goleiros, geralmente donos de pouca técnica com os pés. “Tenho que ser o mais calmo do time, se não fico nervoso e dou chutão. Os zagueiros e os meias têm que se desmarcar para me ajudar”, explicou Henrique Cucato, de 17 anos. O jogador está há seis anos no clube e para adquirir técnica com os pés, e treina na linha de vez em quando.

Quem está no clube defende o estilo, mas admite o risco de se trocar passes na defesa e perto do gol. “É como quem anda em uma corda bamba. Treina-se muito, corre risco, mas se cai poucas vezes, porque há uma repetição e concentração”, afirmou o técnico. “No futebol europeu todo mundo sai jogando com passes. Existe o risco de errar, mas na vida sempre se corre riscos”, disse o zagueiro Caio.

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