Lucio Tavora/Agência A Tarde
Lucio Tavora/Agência A Tarde

'Estou feliz porque hoje falam do meu nome', diz Maxi Biancucchi

No Vitória, artilheiro do Brasileirão finalmente consegue se livrar da sombra do primo Messi

VÍTOR MARQUES, O Estado de S. Paulo

11 de agosto de 2013 | 08h01

SÃO PAULO - Ele é argentino, natural de Rosário, e é um dos artilheiros do Campeonato Brasileiro. Chama-se Maxi Biancucchi, tem 28 anos e joga no Vitória. O parentesco com o primo Messi - lembrado muitas vezes de maneira maldosa pela comparação injusta com o melhor jogador do mundo - já não incomoda como nos tempos de Flamengo, em 2007. "Naquela época, isso me atrapalhou", disse ele ao Estado. "Estou feliz porque hoje falam realmente do meu nome, seja de bom ou seja de ruim, independentemente do Messi."

A seguir, leia trechos da entrevista exclusiva, em que ele fala da infância, de um trauma sofrido no início da carreira e da filha que vai nascer no Brasil e se chamará Vitória em homenagem ao clube baiano.

ESTADO - Como você explica esse bom momento do Vitória no Campeonato Brasileiro?

MAXI BIANCUCCHI - Nós estamos com uma equipe boa, ordenada e que está fazendo um bom campeonato. Sabemos que é difícil, como foi o jogo que fizemos com a Portuguesa, que vencemos de virada. São equipes qualificadas, mas estamos focados.

ESTADO - Como analisa o time do Corinthians, que vem oscilando na competição?

MAXI BIANCUCCHI - No Brasileiro, pode acontecer qualquer coisa. Você pode ganhar dentro de casa, como pode ganhar fora. Sabemos que vamos enfrentar uma equipe com grandes nomes, que vem de conquistas como a Libertadores e o Mundial. É uma equipe não temos nada para falar da qualidade dos jogadores. Mas temos um estilo de jogo e condições de ganhar.

ESTADO - Você é um dos artilheiros do Brasileirão, com oito gols. É a melhor fase da sua carreira?

MAXI BIANCUCCHI - Como disse, nossa equipe é ordenada e estou jogando próximo ao gol, finalizando mais. Estou contente. Com certeza é a minha melhor fase, quando você consegue fazer gols, o que é bom para um atacante. Levando em conta os jogadores que disputam esse campeonato, para mim é muito importante ser o artilheiro.

ESTADO - Por que você nunca jogou na Argentina como profissional?

MAXI BIANCUCCHI - Saí muito cedo de lá, eu joguei na base do San Lorenzo, mas me procuraram para jogar profissionalmente no Paraguai (no Libertad) e eu tinha 17 anos. Aconteceram muitas coisas, sofri um traumatismo craniano e fiquei sete meses sem poder jogar. Isso atrapalhou minha estreia como profissional. A recuperação demorou mais do que eu imaginava.

ESTADO - Como você se machucou?

MAXI BIANCUCCHI - Em um treino, pulei para cabecear a bola, mas bati cabeça com cabeça. Não abriu nada, não foi uma batida forte. Mas eu levei a pior. O outro jogador só colocou gelo e eu tive de passar por uma cirurgia. Foi muito ruim, tinha 17 anos, fiquei sete meses sem jogar, em recuperação. Não fiquei com medo (de não jogar mais), mas fiquei triste pela situação. Mas depois, já como profissional, tive propostas de voltar à Argentina, inclusive do San Lorenzo, mas segui outros caminhos.

ESTADO - Como você chegou ao Flamengo, em 2007?

MAXI BIANCUCCHI - Estava no Sportivo Luqueño (do Paraguai), nós fomos campeões depois de 54 anos e todo mundo ficou com moral. Aí chegou uma proposta do Flamengo, e era uma aposta do Flamengo, até pela minha idade. Tive uma primeira fase boa, fiz gol no Fla-Flu, mas depois me machuquei e perdi espaço, fui para a reserva. E jogador precisa de sequência.

ESTADO - Ficava incomodado quando se referiam a você apenas como primo do Messi?

MAXI BIANCUCCHI - Era novo, e cheguei com esse nome, e quando você chega a um lugar e falam que você é primo de um jogador querem dizer que você é como esse jogador. Isso atrapalha, e naquela época atrapalhou. Mas hoje trabalho para fazer minha própria história, para que todo mundo me conheça pelo que eu faço, por isso neste momento estou feliz porque hoje falam realmente do meu nome, independentemente do Messi. Naquela época, ninguém me conhecia, quando jogava estavam sempre de olho se era pior ou melhor, comparações absurdas, porque o Messi é o melhor do mundo.

ESTADO - Como foi a infância de vocês em Rosário?

MAXI BIANCUCCHI - Minha mãe é irmã da mãe dele e nós sempre andávamos juntos. Sempre, em aniversários... Ele morava a uma quadra da minha casa, a gente jogava bola, ele era mais novo, eu tinha uns dez anos, era normal, como qualquer família. Começamos a jogar num clube onde toda a família jogava bola, seu irmão maior, o outro do meio, depois eu, depois Messi, meu irmão, passávamos o sábado inteiro nesse clube de bairro.

ESTADO - Vocês já viam que o Messi era um craque desde pequeno?

MAXI BIANCUCCHI - Sim, era um cara diferenciado do resto, ele tinha uns cinco anos e pegava a bola e ia de uma trave à outra driblando todo mundo, um absurdo, e isso num campo pequeno, de terra, sete contra sete.

ESTADO - Quando ele foi para o Barcelona, ainda menino, como sua família viu tudo isso?

MAXI BIANCUCCHI - A primeira coisa que imaginávamos era que o menino seria profissional, isso todo mundo já tinha certeza, e isso já é o mais difícil. E que ele iria ser diferenciado, mas nunca imaginamos que ele teria toda essa genialidade no futebol.

ESTADO -Você mantém contato com ele?

MAXI BIANCUCCHI - Muito pouco, falei agora antes da Copa das Confederações, conversei pelo WhatsApp (troca de mensagens por celular). Nós dois somos assim, não somos muito de falar.

ESTADO - O Messi vai ofuscar o Neymar no Barcelona?

MAXI BIANCUCCHI - Os dois são craques, não tem como não dar certo. Acho que o Neymar vai ter de se adaptar, é normal, jogava no Santos, um campeonato diferente, e agora vai jogar em uma equipe já formada, mas vai dar tudo certo lá.

ESTADO - Você será pai outra vez. Sua filha se chamará mesmo Vitória?

MAXI BIANCUCCHI - Temos uma filha mexicana e minha esposa é paraguaia. E vamos ter uma filha brasileira. Se fosse menino, até disse brincando que levaria para a Argentina. Conversei com minha mulher e vamos colocar o nome de Vitória, minha esposa gostou do significado e eu estou agradecido com o pessoal daqui, que me abriu as portas.

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