Charles Platiau/Reuters
Charles Platiau/Reuters

'Estou vivendo o melhor momento da minha carreira'

Titular no time francês, ele diz ter superado a decepção de não ter jogado a Copa. E não vê a hora de voltar à seleção

Entrevista com

Lucas, atacante do Paris Saint-Germain

Fernando Faro, O Estado de S. Paulo

10 de janeiro de 2015 | 07h00

 Lucas admitiu ao Estado que a saudade da família e dos amigos atrapalhou sua primeira temporada no Paris Saint-Germain. Contratado por mais de R$110 milhões, o ex-são-paulino oscilou e acabou terminando o ano na reserva.

Já adaptado, ele conseguiu finalmente atingir às expectativas e virou peça fundamental no esquema de Laurent Blanc numa equipe recheada por astros mundiais. Na entrevista exclusiva concedida pelo jogador - que pode alcançar os 50 gols na carreira hoje contra o vice-lanterna Bastia -, ele comemora a ascensão e acredita estar no caminho certo para continuar progredindo. De olho na volta à seleção, ele também não esquece o clube que o revelou. "É difícil eu me desligar do São Paulo.

Você oscilou nas sua primeira temporada, mas agora parece ter se encontrado...

Comecei bem, mas tive uma adaptação complicada. Acho que é normal, todo mundo passa por esse momento, ainda mais quando é um jovem. Mas graças a Deus isso passou e estou vivendo minha melhor fase aqui, não tenho a menor dúvida disso. Estou totalmente adaptado num clube sensacional e que me dá toda a estrutura para meu desenvolvimento, numa cidade linda e com torcedores que me apoiam desde que cheguei. A tendência é evoluir, tenho 22 anos, muita vontade de aprender e sei que vou conseguir.

Quais foram as maiores dificuldades?

Sem dúvida dentro do campo muda, a partida é mais tática, num outro ritmo. Mas, para mim, a pior parte foi fora do campo. A saudade da família, dos amigos, de tê-los perto sempre. Quando eu jogava no São Paulo era fácil porque morava perto do trabalho, tinha os amigose a família sempre ao alcance. Isso é uma coisa que sinto falta aqui, desse clima de alegria, de ter os amigos para um churrasco no fim de semana. Aqui é diferente, os europeus são um pouco mais frios, não têm muito essa proximidade. Antes sentia muita falta disso, mas tem muitos brasileiros no clube e isso me ajudou bastante, estamos nos encontrando sempre. Fiquei um mês morando no hotel, é complicado, mas agora arrumei uma casa, estou tranquilo.

Cogitou-se até que você poderia sair. Pensou nisso?

Apesar de tudo o que vivi e de todas as especulações, nunca pensei em sair. Sabia que iria me firmar, encontrar meu espaço e encontrar meu futebol cedo ou tarde. Sei bem o que quero e o que posso fazer, onde posso chegar. Sabia que estava no caminho certo e que era uma adaptação, agora estou colhendo os frutos daquilo que plantei lá atrás. Nunca passou na minha cabeça sair mesmo para outro país da europa, até porque ninguém podia garantir que eu seria tirular e continuaria jogando.

Você nunca foi um artilheiro, mas tem feito gols com mais frequência. Mudou a forma de jogar?

Sempre fui mais de criar as jogadas. Na base era meia armador; foi no profissional que fui para a ponta e passei a jogar mais adiantado. Gosto de carregar a bola, acelerar o jogo, partir para cima, mas venho trabalhando também para fazer mais gols, já que não era de fazer muitos no São Paulo. Mas até por ser atacante sei que é importante marcar de vez em quando e estou sempre tentando melhorar nesse sentido.

Agora que é conhecido, o assédio aumentou?

Está aumentando (risos), mas sou uma pessoa normal, gosto de fazer as coisas sozinho, às vezes vou sozinho na Torre. As pessoas olham, às vezes não acreditam. As pessoas aqui são mais contidas, têm um pouco mais de receio. Mas sou um cara muito receptivo, converso e tiro fotos sem problema.

E o Ibrahimovic ainda reclama muito ou melhorou também?

Ele tem esse jeito explosivo, mas ele pode cornetar qualquer um (risos). Tem um temperamento forte, é explosivo, mas sempre me tratou muito bem, claro que no campo ele tem a personalidade muito forte, mas fora ele sempre me respeitou, brinca comigo. Tenho uma ótima relação com ele.

O time tem uma base que vem junta há algum tempo. Quando será hora de brigar para ganhar a Champions?

Espero que logo, é um time que está junto há quase três anos e vamos jogando cada vez mais. Conseguimos dois nacionais e agora queremos a Champions. Apesar de ter jogadores experientes, é preciso que o clube se acostume a jogar e também impormos respeito ao adversário. Perdemos para dois grandes adversários nos últimos anos (Barcelona e Chelsea) e pelo gol fora de casa, coisa do regulamento. Essa temporada chegamos fortes.

Até que ponto a campanha do Olympique de Marselha surpreende?

Não posso dizer que é uma surpresa porque o futebol tem isso. Equipes acabam chegando e temos que assumir que o Bielsa está fazendo um grande trabalho. Está dando trabalho para todo mundo e não é à toa que está na liderança. Apesar do nosso investimento, é sempre difícil um campeonato de pontos corridos, ainda mais para quem vem de dois títulos. Mas estamos perto, vamos brigar até o fim.

Jogando há mais tempo na Europa, dá para dizer que é um futebol mais evoluído?

É difícil falar, mas sem dúvida nenhuma na qualidade técnica somos superiores, mas no coletivo e na parte tática precisamos evoluir um pouquinho, basta ver a Alemanha. Se pedir para apontar um craque, vários jogadores serão citados. É um time bem montado e nisso estamos um pouco atrás. Usamos muito o improviso, às vezes um cara que é ponta acaba jogando na lateral. Aqui o jogo é muito rápido, você domina a bola e tem três em cima de você. Mas não acho que estejamos tão atrás.

Não ter ido para a Copa já é algo superado?

Está superado há muito tempo. Claro que fiquei chateado porque sempre falei que era um sonho meu, mas temos que estar preparados, somos profissionais e temos que entender. Já levantei a cabeça, tenho tempo para disputar muitas copas e vou batalhar para isso, vou olhar para isso e agora é hora batalhar.

O que achou dos 7 a 1 para a Alemanha?

Foi uma surpresa para todos, nem eles imaginavam que era possível, mas são coisas que o futebol nos prepara, tem coisas maravilhosas e trágicas. Tem que dar os parabéns para a Alemanha e bola para frente. Não adianta lamentar.

E quais os seus próximos passos na carreira? O que planeja?

Meu primeiro objetivo é me firmar como titular no PSG, que é algo que estou fazendo. Estou muito à vontade, confiante e preparado. Depois é a seleção, infelizmente não pude me apresentar mas março tem outra convocação e estou pronto para vestir a camisa, voltar para lá e ajudar a seleção. É o meu sonho. As coisas estão acontecendo como eu esperava.

O São Paulo ainda procura seu substituto...sente saudades?

É difícil me desligar, acompanho sempre mesmo quando os jogos passam tarde. Vejo pela internet, converso com meus amigos. Acho que o time fez uma grande temporada apesar de ter ficado atrás do Cruzeiro no Brasileiro, mas o São Paulo está muito forte para essa temporada, tem tudo para chegar e ser campeão esse ano. 

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