Estrangeiros desconhecidos tentam a sorte no futebol brasileiro

Em meio aos retornos de astros como Adriano e Robinho, o futebol brasileiro recebe uma legião de jogadores estrangeiros pouco conhecidos que sonha defender clubes de ponta no país ou atuar no futebol europeu.

EFE,

25 de fevereiro de 2010 | 12h14

Sem os altos salários de muitos compatriotas que atuam em grandes equipes e sem o conforto das principais cidades brasileiras, estrangeiros apostam em brilhar nos campeonatos estaduais de menor expressão para ter um segundo semestre mais lucrativo.

"Antes, o Brasil era um mercado quase que blindado para os estrangeiros. Conforme muitos jogadores daqui foram saindo, os clubes pensam agora em trazer nomes de fora, até mesmo os de menor investimento", disse à Agencia Efe o empresário colombiano Felipe Posso, credenciado pela como agente Fifa.

Posso levou o zagueiro panamenho Felipe Baloy ao Grêmio em 2003. Primeiro de seu país a atuar no futebol brasileiro, ele participou do grupo do tricolor gaúcho rebaixado à Série B e depois foi para o Atlético-PR. Hoje está no Santos Laguna, do México.

O empresário também foi responsável pela contratação do atacante uruguaio Acosta, destaque no Náutico em 2007 e que depois foi para o Corinthians, sem sucesso. Depois de um frustrado retorno ao clube de Recife em 2009, ele chegou a ser anunciado pelo Oeste de Itápolis, mas não foi liberado pelo Cerrito para disputar o Campeonato Paulista.

"Agora temos jogadores jovens da Colômbia, Honduras e Panamá que podem se encaixar perfeitamente no futebol brasileiro", apontou Posso.

Além da barreira do idioma e de enfrentarem uma nova cultura, diversos gringos usam como trampolim equipes que não têm grandes aspirações de título, mas que ganham espaço na imprensa quando enfrentam grandes clubes do país.

É o caso do volante camaronês Steve. Hoje com 25 anos, ele foi o primeiro a marcar um gol na história do Campeonato Brasileiro da Série D, pelo Macaé, e agora quer fazer história na Chapecoense, que disputa o Cameponato Catarinense. Com passagens por Gama, Vitória-BA, Portuguesa, Avaí, Duque de Caxias e Guará, ele ainda sonha ser chamado algum dia à seleção de seu país.

Santa Catarina ainda conta com outros estrangeiros. No Figueirense, que tenta buscar uma vaga na primeira divisão, fazem parte do elenco os argentinos Martín Lucero, de 19 anos, e o zagueiro Agustín Cattaneo, de 21.

No Metropolitano, da cidade de Blumenau, a estrela é o argentino Mariano Trípodi, que tenta buscar seu melhor futebol após passagens sem sucesso por Santos, Vitória-BA e Atlético-MG. O jogador já vestiu também as camisas de Boca Juniors e Colônia (Alemanha).

O zagueiro colombiano Carlos Saa, de 26 anos, se tornou o primeiro estrangeiro a atuar no Juventus de Jaraguá do Sul, outra equipe de Santa Catarina, e passou ainda por Botafogo-SP, Paulista e Grêmio Catanduva.

No Campeonato Gaúcho, o Caxias tem no elenco os atacantes colombianos Christian Borja, que defendeu Mogi Mirim e Guaratinguetá, e John Jairo Palacios, ex-Grêmio.

Considerado um dos melhores campeonatos do país, o Paulistão tem o paraguaio naturalizado boliviano Pablo Escobar (Mirassol), o argentino Mariano Torres (Santo André), o uruguaio Gustavo Biscayzacú (Portuguesa) e Renato González, promessa do futebol chileno que está na Ponte Preta.

Outro uruguaio, Marcelo Lipatín, já defendeu Grêmio e Coritiba e retornou ao Brasil para jogar no J. Malucelli, hoje Corinthians-PR e que disputa o Campeonato Paranaense.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.