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'Estrangeiros podem contribuir tecnicamente', diz ídolo do Grêmio nos anos 70

Ídolo dos anos 70 afirma que principal atrativo para os estrangeiros desde a sua época são os altos salários pagos no Brasil

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2014 | 17h05

SÃO PAULO - Atilio Ancheta foi um dos grandes zagueiros do Grêmio nos anos 70. Em quase dez anos (1971 a 1979), conquistou dois títulos gaúchos e ajudou a desenhar o perfil do defensor uruguaio: técnico, viril e com garra e determinação acima da média. Afirma que o principal motivo para o aumento dos estrangeiros no futebol brasileiro - exatamente como era na sua época são - são os altos salários pagos no pagos. Mas afirma que uruguaios, argentinos e paraguaios contribuem com a melhoria do nível técnico dos jogos.

ESTADO - Por que vem aumentando o número de estrangeiros no futebol brasileiro?

ATÍLIO ANCHETA - O principal fator é o econômico. Desde os anos 70, países como Uruguai, Argentina e Paraguai oferecem salários menores do que os do Brasil. Além de baixos, os salários eram pagos com atraso. Em troca, os estrangeiros podem contribuir tecnicamente.

ESTADO - Como assim? São melhores do que os jogadores brasileiros?

ATÍLIO ANCHETA - Não. Têm o mesmo nível. A diferença é que os gramados fora do Brasil são ruins e dificultam o passe e o domínio de bola. Com isso, os jogadores são obrigados a aperfeiçoar a parte técnica. Sempre melhoramos na hora da dificuldade. Não só no futebol, mas em tudo na vida. Com isso, eles se tornam ainda mais habilidosos e, quando chegam ao Brasil, onde os gramados são muitos melhores, têm facilidade para mostrar seu talento.

ESTADO - Era assim na sua época?

ATÍLIO ANCHETA - Naquela época, todos os campos eram ruins. Até mesmo no Brasil (risos). Com isso, todos os jogadores tinham de aprimorar a técnica. Essa é uma diferença importante em relação aos dias de hoje. Os jogadores não treinam fundamentos. Falta domínio de bola, passe, cruzamento e chute. Também falta espaço para a individualidade.

ESTADO - Foi difícil se adaptar e viver no Brasil?

ATÍLIO ANCHETA - Não. Sempre recebi apoio da torcida e dos jogadores. E olha que eram pouquíssimos estrangeiros.

ESTADO - Ainda vive do futebol?

ATÍLIO ANCHETA - Não. Virei cantor, gravei três CDs e faço vários shows de bolero e tango. Os brasileiros gostam muito das músicas de Manolo Otero e Julio Iglesias.

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