Estrela da Copa, taça tem esquema de segurança digno de chefe de Estado

Quando chegar a São Paulo, no fim de maio, objeto contará com proteção extra da Polícia Militar

Flavia Alemi, O Estado de S. Paulo

13 de maio de 2014 | 07h00

SÃO PAULO - Ela pesa 6,175 quilos, distribuídos em 36,8 centímetros de altura. É feita de ouro maciço 18 quilates, tem seguro milionário e vira a menina dos olhos do planeta a cada quatro anos. Objeto de maior cobiça do mundo do futebol, a Taça Fifa tem em seu entorno um esquema de proteção digno de um chefe de Estado, tanto é que a entidade máxima do futebol se recusa a fornecer qualquer informação sobre as circunstâncias sob as quais o troféu é mantido no Brasil. Apenas alguns afortunados têm o privilégio de zelar pela taça da Copa do Mundo e conhecer seu roteiro quando ela não está à mostra para o público.

O capitão da Polícia Militar do Estado de São Paulo, Sérgio Marques, é um desses privilegiados. De visita pelas capitais brasileiras, o troféu aterrissa no Aeroporto Internacional de Guarulhos na noite do dia 28 de maio sob o olhar atento da PM. "Faremos todas as escoltas. Planejamos que dez policiais, distribuídos em três viaturas, e mais dez motocicletas farão o monitoramento da taça quando ela estiver indo para o hotel e para a exposição", conta Marques.

Exposto no estacionamento do Shopping Itaquera de 29 de maio a 1.º de junho, o troféu deve receber a visita de 15 a 21 mil curiosos por dia, estima a PM. "Estaremos com intensificação no policiamento no entorno do shopping, tanto no perímetro interno quanto no externo", detalha. Segundo Marques, a PM está preparada para a possibilidade de manifestações como as que aconteceram no último domingo, quando o Tour da Taça estava em João Pessoa. "Só vamos intervir caso tenha protesto violento. As forças táticas da região estarão atentas a isso também", esclarece.

Além do apoio da Polícia Militar na capital paulista, a taça da Copa tem suporte da empresa de segurança particular Prosegur, cuja assessoria ressalta o sigilo do esquema. "Por questões contratuais, a Fifa não nos permite falar absolutamente nada sobre a segurança do troféu". A própria entidade sequer atendeu aos pedidos da reportagem do Estado.

Durante o Tour da Taça, o troféu fica sob responsabilidade da Coca-Cola, um patrocinador master da Fifa. A Coca-Cola fez acordos com diversas empresas de segurança nos 90 países que onde a taça esteve, e até agora nada deu errado ou saiu dos planos. Na multinacional, a questão da segurança também é tratada a sete chaves. O diretor de comunicação da Coca-Cola Brasil, Victor Bicca, conta que cerca de 50 pessoas viajam com o troféu durante o evento, mas a precisão de quantas delas estão diretamente envolvidas no zelo à taça é omitida. "Em cada cidade, contamos com a segurança local para nos ajudar. Mas a taça, em específico, chega em segredo ao evento, sem ninguém saber. Não vemos nem o stand ser montado."

JULES RIMET

Todo o sigilo entorno da Taça Fifa tem uma razão de existir. Sua antecessora, a famosa Jules Rimet, foi roubada quando estava na sede da CBF, no Rio de Janeiro, e derretida pelos ladrões. Desde então, a Fifa adotou regras que limitam a exposição do novo troféu, a fim de evitar um novo sumiço. O fato de apenas campeões mundiais e chefes de Estado poderem colocar suas mãos sobre a taça é uma delas, assim como a permanência do troféu sob domínio da Fifa. No novo regulamento, nenhum país terá posse definitiva da conquista. A taça original é erguida pelos campeões, mas logo é trocada por uma réplica banhada a ouro. Assim, após toda edição de Copa do Mundo, a Taça Fifa retorna a Zurique, na Suíça, e lá permanece trancada até nova aparição.

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