Ralph Orlowski/Reuters
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Estrelas do futebol encerram carreira nas seleções nacionais

Mundial no Brasil tornou-se um marco para 20 jogadores; lista traz nomes como Klose, Lahm, Drogba, Julio Cesar, Lampard e Villa

Diego Salgado, O Estado de S. Paulo

05 Setembro 2014 | 07h00

Os primeiros amistosos entre seleções após a Copa do Mundo trazem à tona a nova realidade do futebol mundial. Alguns craques que se transformaram, ao longo da carreira, em símbolos do futebol do país não entraram em campo e deixaram a sensação de vazio para os torcedores. O Mundial no Brasil tornou-se um marco para 20 jogadores do futebol mundial. Na competição, atletas prestigiados defenderam pela última vez suas equipes nacionais.

A lista, extensa, traz nomes como Klose, Lahm, Fred, Julio Cesar, Eduardo da Silva, Mertesacker, Van Buyten, Valdivia, Mondragon, Xabi Alonso, Karagounis, Yobo, Gerrard, Lampard, Villa, Drogba, Benaglio e Xavi - Nasri e Ribery, fora da Copa, também anunciaram a aposentadoria. Para alguns deles, como o trio alemão tetracampeão mundial, a aposentadoria chegou em um grande momento da carreira. Para outros, a despedida deu-se após fiascos durante o Mundial 2014. É o caso dos jogadores das seleções brasileira, espanhola e inglesa.

O restante, em contrapartida, deixaram uma boa impressão, mesmo sem o título. O belga Van Buyten, por exemplo, ajudou a levar a seleção às quartas de final do Mundial no retorno da equipe à competição depois de um hiato de 12 anos. Já Mondragon fechou a carreira com chave de ouro ao entrar em campo com 43 anos e bater recorde histórico. Yobo, Karagounis, Benaglio e Valdivia também desempenharam um bom papel. Com a ajuda deles, Nigéria, Grécia, Suíça e Chile, respectivamente, avançaram à fase de mata-mata.

FIM DA LINHA

A má campanha de Inglaterra e Espanha no Mundial não mudou os planos de aposentadoria de cinco jogadores. A Inglaterra acabou eliminada na primeira fase depois de perder duas partidas (para Itália e Uruguai) e empatar sem gols com a Costa Rica, a sensação do torneio. Contra os uruguaios, Gerrard falhou ao cabecear para trás e deixar Luis Suárez livre para marcar o gol da vitória.

Lampard, seu companheiro de meio-campo, também não deixou boa impressão. Mesmo com o desfecho trágico, os jogadores que marcaram a história da seleção inglesa se afastaram definitivamente da equipe. Destino parecido teve o trio Xavi, Villa e Alonso. Campeões mundiais em 2010 e europeus em 2008 e 2012, os craques não conseguiram evitar a vexatória desclassificação espanhola na fase de grupos.

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Fred e Julio Cesar deixam seleção após derrota na Copa

Campeões da Copa das Confederações em 2013, atletas decidiram deixar a equipe brasileira para dar oportunidade a outros jogadores

Diego Salgado, O Estado de S. Paulo

05 Setembro 2014 | 07h00

Fred viveu seu maior momento na seleção brasileira na Copa das Confederações de 2013. Com ele no comando do ataque, o Brasil calou os críticos e sagrou-se campeão ao bater a Espanha por 3 a 0 no Maracanã. Na ocasião, o centroavante marcou dois gols e praticamente garantiu vaga na Copa do Mundo, um ano depois.

No Mundial 2014, entretanto, Fred não conseguiu repetir as boas atuações no time de Felipão. Com apenas um gol marcado em seis jogos, o atacante do Fluminense deu adeus à seleção logo após a derrota por 3 a 0 para a Holanda, na decisão do terceiro lugar, em Brasília. "Eu assumo a  minha parte. Queria fazer mais. Não estava machucado ou com problemas físicos. Para mim, a seleção já deu", disse em entrevista ao Estado na época.

Dois meses depois do fracasso na Copa, o atacante ainda mantém o silêncio em relação à campanha. Procurado pela reportagem, Fred, por meio de sua assessoria de imprensa, disse que prefere não falar sobre o seu momento e a aposentadoria da seleção brasileira.

A fraca campanha no Mundial também tornou-se o capítulo final da carreira de Julio Cesar na seleção brasileira. No total, o goleiro vestiu a camisa do Brasil em 87 partidas, desde julho de 2004. Após a falha contra a Holanda no Mundial da África do Sul, Julio Cesar redimiu-se ao brilhar na decisão por pênaltis contra o Chile, nas oitavas de final da Copa 2014.

Na histórica goleada contra a Alemanha, na semifinal, o goleiro nada pôde fazer nos gols alemães em pleno Mineirão. Após o jogo diante da Holanda, descartou continuar no time nacional. Segundo ele, seria egoísmo jogar a Copa América no ano que vem e não visar a Copa do Mundo de 2018, na Rússia. Julio, aos 35 anos, ressaltou a importância de dar uma chance a novos atletas e falou em "oito nomes com capacidade" para a posição. Ele se transferiu para o Benfica após o Mundial. 

Na primeira convocação após a Copa, Dunga deu sinais de renovação no gol ao convocar Rafael Cabral, campeão da Libertadores com o Santos em 2011. Aos 24 anos, o goleiro do Napoli será reserva de Jefferson nos amistosos contra a Colômbia e o Equador.

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'Deixo escrita uma bonita história', afirma Eduardo da Silva

Brasileiro defendeu a Croácia por dez anos e chegou à marca de 29 gols em 64 jogos, tornando-se o segundo maior goleador da história

Entrevista com

Eduardo da Silva

Diego Salgado, O Estado de S. Paulo

05 Setembro 2014 | 07h00

O carioca Eduardo da Silva marcou seu nome na história do futebol ao fazer sucesso na seleção croata. No país, o atacante defendeu a equipe nacional por dez anos e chegou à marca de 29 gols em 64 jogos. A trajetória teve fim depois do Mundial disputado no Brasil. "Sinto que fiz o melhor. Deixo escrita uma bonita história. São mais de dez anos representando a Croácia com muito amor", disse Eduardo em entrevista ao Estado.

Na Copa do Mundo, o atacante do Flamengo assistiu à vitória do Brasil por 3 a 1 sobre a seleção croata do banco de reservas, no Itaquerão. Contra Camarões (goleada por 4 a 0), o brasileiro entrou em campo e jogou por 21 minutos. Logo após a competição, Eduardo anunciou que não vestiria mais a camisa da seleção. O brasileiro é o segundo maior artilheiro da história da equipe nacional, atrás apenas de Davor Suker, artilheiro da Copa do Mundo de 1998, e reconhecido atacante.

Por que se aposentar da seleção croata aos 31 anos?

Sou jogador profissional, sempre me dediquei ao esporte com profissionalismo. Sempre honrei e dei meu máximo com todas as camisas que vesti, principalmente a da Croácia. O país me acolheu muito bem e tentei retribuir da melhor maneira possível sempre, com suor, dedicação e muita seriedade. Sinto que fiz o melhor. Deixo escrita uma bonita história. São mais de dez anos representando a Croácia com muito amor, e agora quero me concentrar nos novos desafios que a vida esportiva tem me proporcionado.

Você conversou com o técnico Niko Kovac antes de tomar a decisão? E se ele te convocar?

O importante é que está tudo resolvido. Gosto de olhar sempre para frente.

A despedida da seleção pode, de algum modo, desmotivar o jogador de futebol? 

Jamais. Um atleta é movido por desafios. Comigo não é diferente. Estou no maior clube do Brasil, o Flamengo. Tenho a consciência tranquila quanto à minha história na Croácia e nos clubes que defendi. Fiz e continuarei fazendo o meu melhor enquanto estiver jogando. Quero ser campeão no Flamengo.

Qual o seu maior momento na seleção da Croácia?

Posso listar alguns, mas no geral foi tudo muito bom. Realizei o sonho de muitos atletas, disputei Copa do Mundo. Fiz muitos gols importantes e a torcida sempre reconheceu isso, inclusive quando estive lesionado, com gestos de carinho. Só tenho a agradecer.

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Trio campeão mundial recebe homenagem antes de amistoso

Longe da seleção alemã, Lahm, Klose e Mertesacker estiveram no gramado do estádio de Dusseldorf antes do jogo contra a Argentina

Diego Salgado, O Estado de S. Paulo

05 Setembro 2014 | 07h00

Em clima de festa, três campeões mundiais foram homenageados pouco antes do amistoso Alemanha e Argentina, em Dusseldorf. Philip Lahm, Miroslav Klose e Per  Mertesacker foram homenageados pela Federação Alemã de Futebol (DFB). O trio anunciou a aposentadoria da seleção após a conquista do título no Maracanã, há  pouco menos de dois meses.

Nas arquibancadas,  Um grande mosaico, com a palavra "Weltmeister", "Campeões do mundo" em português, foi montado pelos torcedores alemães, que, depois,  assistiram à derrota por 4 a 2 dos atuais campeões do mundo.

O trio de jogadores marcou época na seleção da Alemanha. Klose tornou-se, em 13 anos, o maior goleador da história da equipe alemã, com 71 gols em 137 jogos,  superando Gerd Müller, que fez 68 gols. O atacante da Lazio também chegou à marca de maior artilheiro das Copas - ultrapassando Ronaldo (16 contra 15), em um  total de quatro edições disputadas.

Lahm e Mertesacker, por sua vez, vestiram a camisa da seleção em três Copas: 2006, 2010 e 2014. Peças-chave da renovação do futebol alemão, os jogadores  conseguiram o título no Brasil após chegaram à terceira semifinal seguida. 

Aos 30 anos, o capitão alemão no Brasil disputou, em dez anos de carreira na seleção, 113 jogos, com cinco gols marcados. Já o zagueiro, que completará 30  anos no fim deste mês, tomou a decisão de parar depois de 104 jogos com a camisa da Alemanha.  

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