Reprodução
Reprodução

Estudo do Santos aponta público médio em nova arena de 18 mil torcedores

Presidente do clube dá como certa a construção de estádio e diz que tem oito dias para aceitar oferta de Juventus ou Inter de Milão por Gabigol

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

24 Agosto 2016 | 15h55

O presidente do Santos, Modesto Roma Jr., não tem dúvidas de que o time terá uma nova arena na Baixada, a 250 metros da Vila Belmiro, moderna, com estacionamento próprio e cuja ocupação média chegará a 18 mil torcedores, o que significa um aumento de 10 mil pessoas em relação ao público nas partidas da Vila nas últimas temporadas. Em entrevista exclusiva ao programa Estadão Esporte Clube, da Rádio Estadão, no começo da tarde desta quarta-feira, quando cortava o mar da cidade pela balsa e horas antes de o Santos encarar o Vasco pela fase de oitavas de final da Copa do Brasil, o dirigente disse também que o clube pagou o primeiro dos dois meses em atraso dos direitos de imagem dos jogadores e que "nos próximos dias" pagará a outra parcela devida. Está para decidir nos próximos dias ainda se vende o atacante Gabriel, agora medalha de ouro no futebol olímpico.

De acordo com o presidente santista, a intenção de erguer um novo estádio, cujo investimento estimado é de R$ 450 milhões, diz respeito a dois problemas que o Santos não consegue solucionar com a Vila Belmiro: a transformação do estádio onde Pelé brilhou numa arena multiuso e o aumento de público nas numeradas. "Não há condições arquitetônica para reformar a Vila, de aumentar sua capacidade. Há ainda um impacto ambiental nos arredores que inviabiliza qualquer reforma estrutural. É tecnicamente inviável. Daria mais trabalho reformar do que derrubar e construir outra", defende. "É certo também que o público aumentaria num estádio novo. O estudo que fizemos aponta para uma ocupação média de 18 mil torcedores na nova casa, com mais conforto e boa mobilidade. Hoje, nossa torcida é de 9 mil, 10 mil torcedores por partida, em média."

Modesto se vale da transformação de Palmeiras e Corinthians nesse quesito e não quer ficar para trás na corrida. Ele enche a boca para afirmar que os dois rivais aumentaram suas capacidades de arrecadar dinheiro com bilheteria. Com a nova arena, a estimativa é ganhar até R$ 70 milhões por ano. Trata-se de aposta ousada.

Modesto explica ainda que o Santos não colocará a mão no bolso para viabilizar o projeto, que será mantido por investimento privado, dos Estados Unidos, com a obra entregue à Fernandes Arquitetura e Conexão 3. Da mesma forma, o terreno, de 109 mil metros quadrados, é doado e sem custos ao clube. O Santos terá 40% de participação na arena e 12,5% nas rendas do futebol e eventos nos primeiros cinco anos, com aumento gradativo desse percentual. O Santos teria autonomia das rendas depois de 20 anos.

O modelo de parceria apresentado ao Conselho Deliberativo do Clube também privilegia verbas de manutenção tanto da nova arena quanto da Vila. "Teremos uma verba de R$ 300 mil/mês somente para custear a manutenção da Vila. É uma verba para sempre. A Vila seria a nossa botique, para jogos menores e especiais. Preservaríamos o lado histórico, de tradição, sem perder o seu uso e espaço." O fato de ter dois estádios na Baixada descarta qualquer promessa de o Santos mandar jogos em São Paulo, no Pacaembu, por exemplo, para atender o desejo de torcedores da capital. A previsão é de 90 dias para costurar o projeto é mais 30 meses para erguê-lo. Portanto, é um estádio para 2020.

SALÁRIOS ATRASADOS

Modesto Roma Jr. não negou à reportagem os dois meses de direitos de imagem que deve aos jogadores. Culpou a contingência do futebol e afirmou que o clube pagou nesta quarta a primeira das parcelas em atraso. "Pagaremos a outra nos próximos dias. Somos transparentes na nossa gestão, apesar das dificuldades."

O dirigente admitiu ainda ter duas propostas para vender Gabigol. "Temos oferta oficial de Juventus e Inter de Milão." O Santos tem oito dias para resolver o que faz, prazo em que a janela de transações da Europa se fecha. "Oito dias é uma eternidade no futebol." De qualquer forma, Modesto sabe que precisa administrar pensando no rendimento do time, mas também na saúde financeira do clube.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.