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Estudo: federações têm apenas 15% do dinheiro do futebol brasileiro

Detentores do poder financeiro, clubes poderiam mudar a história

O Estado de S. Paulo

13 de abril de 2015 | 13h55

Nos últimos tempos, está em evidência a autoridade e a ambição das federações estaduais e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) com relação ao dinheiro movimentado e seu controle sobre o futebol brasileiro. Porém, um estudo de Amir Somoggi, consultor de marketing e gestão esportiva, indica que, pelo menos na questão financeira, os clubes ganham de 'lavada' até mesmo da própria CBF.

Segundo o levantamento, os clubes detêm 85% de todo dinheiro movimentado no futebol brasileiro, enquanto as federações (incluindo a CBF) somam 15%. Destes 15%, 82% são representados pela CBF (R$ 452 milhões em receitas). A parcela restante fica com as federações estaduais. Ou seja, caso os clubes se unissem, seria possível mudar o cenário dos negócios no futebol brasileiro, pois o poderio financeiro é imensamente maior do que da própria CBF.

Em São Paulo, por exemplo, os quatro grandes (São Paulo, Corinthians, Palmeiras e Santos) movimentaram mais de R$ 1 bilhão em 2013, enquanto a Federação Paulista de Futebol (FPF) arrecadou 'apenas' 39 milhões, ou seja 3,7% do valor total das receitas. No Rio Grande do Sul, a diferença é ainda maior. Somados, Grêmio e Internacional movimentaram R$ 469 milhões em 2013, contra R$ 10 milhões (2,1%) da Federação Gaúcha. No Rio de Janeiro, a parcial arrecadada pela Ferj é de 2,3% do total do valor do futebol carioca.

Portanto, o consultor garante que, caso realmente houvesse a vontade de alterar o cenário e a correlação do futebol nacional, o poderio financeiro das federações não são problema caso os clubes se unissem. Desta forma, os próprios clubes também teriam culpa a respeito da precarização do futebol brasileiro, uma vez que, além de deterem muito mais poder financeiro, também elegem mandatários de federações.

O estudo levou em conta apenas os 24 clubes mais importantes das oito principais federações estaduais do País (São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Pernambuco e Bahia). O consultor prova que, apesar da CBF ainda deter a maior receita do futebol brasileiro, os clubes têm muito mais condições financeiras do que as federações estaduais.

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