Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Estudo mostra que clubes brasileiros têm potencial para alavancar receitas com torcedores

Chapecoense é quem teve maior média de gastos em 2018 e entre os clubes de maior torcida, o Palmeiras é o destaque; Corinthians é lanterna nessa corrida

Guilherme Amaro, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2019 | 11h30

Os clubes brasileiros têm "enorme potencial" para alavancar as receitas com seus torcedores. É o que aponta o estudo da Sports Value, que criou um índice de gasto médio por cada seguidor com seu respectivo time na temporada de 2018. A Chapecoense é quem teve a média maior, com R$ 29 por torcedor durante o ano. Entre os clubes que apresentam maior torcida, o Palmeiras é o que conseguiu o melhor índice, na casa dos R$ 20 (veja a tabela completa abaixo).

O estudo analisou as receitas diretamente ligadas ao torcedor, com bilheteria dos jogos, plano de sócio-torcedor e licenciamento de produtos específicos. São as chamadas receitas "business to consumer" (B2C) e representam 21% do total gerado pelos clubes no mesmo período. Para Amir Somoggi, sócio diretor da Sports Value, os times precisam "trabalhar com o torcedor e gerir melhor sua marca diante do seu público". O estudo leva em conta o tamanho das torcidas.

"O estudo mostra um destaque para Chapecoense, Athletico-PR e Coritiba, times que estão conseguindo receitas com torcedores na boca do caixa. Também mostra que o Flamengo poderia faturar R$ 500 milhões com seus seguidores. Se esses clubes maiores trabalhassem melhor suas marcas, obviamente o faturamento iria crescer muito", defende Somoggi.

"O Palmeiras está no meio do caminho porque tem o Allianz Parque e vem conseguindo receitas com bilheterias e sócios. Esse fator faz com que o faturamento seja maior com os torcedores", acrescentou.

Outro número do trabalho revela que as receitas dos clubes do Brasil com seus torcedores representam apenas 1,6% do consumo de entretenimento no País. Os gastos dos brasileiros com entretenimento em 2018 foram de R$ 67,7 bilhões, sendo R$ 1,1 bilhão no futebol. "É um número que assusta, mas é consequência de um mal trabalho dos clubes. O Brasil era o país do futebol, mas a má gestão da CBF e dos clubes fizeram o torcedor se afastar muito das marcas", apontou.

Um motivo que explica essa pequena porcentagem de gastos do torcedor com seu respectivo time é também a elevação do interesse por clubes europeus. De acordo com dados do Ibope Repucom de 2017, 72% dos jovens brasileiros torcem para um time da Europa, seja ele Real Madrid, Barcelona, Juventus, Liverpool... Essa estatística vem subindo ano a ano - em 2015, por exemplo, eram de 69%; em 2013, de 64%.

"É o que chamamos de 'geração Play Station' (por causa do videogame). A garotada cresceu jogando esses joguinhos e, naturalmente, acaba tendo predileção pelos times europeus, que são muito potentes do ponto de vista de "jogabilidade". Também teve a massificação de jogos de times europeus na televisão brasileira, e a qualidade do espetáculo de lá é muito superior ao daqui", disse.  

Ainda segundo o estudo, os clubes brasileiro movimentaram R$ 5,7 bilhões em receitas em 2018. Deste valor, 72% foram provenientes do "business to business" (B2B), que são direitos de televisão, transferências de jogadores e patrocínios específicos. Há ainda 7% de outras receitas, além dos 21% gerados com os torcedores.

"Aqui no Brasil, ainda estamos centrados nas receitas B2B. Temos de colocar o torcedor mais no centro de tudo, pensando nos interesses dele, tanto esportivo quanto econômico. É um trabalho interno, que o clube precisa gerir melhor sua marca, e também externo, desenvolvendo melhor esse lado do torcedor", analisou Somoggi.

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