Bruno Haddad/Cruzeiro
Bruno Haddad/Cruzeiro

Estudo mostra que finanças do Cruzeiro em 2019 foram as piores da história do futebol brasileiro

Em oito anos, endividamento líquido do clube de Minas Gerais registrou aumento de 564%

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2020 | 11h03
Atualizado 20 de julho de 2020 | 11h45

O balanço financeiro apresentado pelo Cruzeiro, em 2019, ano de seu rebaixamento inédito para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro, é o pior já registrado na história do futebol nacional. Isso é o que mostra estudo da Pluri Consultoria, em uma de suas mais recentes publicações. O recorte sobre o time mineiro aponta dívidas recordes. De acordo com o estudo, o endividamento líquido do clube, obtido através da subtração dos empréstimos e financiamentos de seu patrimônio total, atingiu os R$ 799 milhões. Isso representa um crescimento de 564% de seu endividamento líquido nos últimos oito anos.

O maior déficit da equipe se concentra em sua dívida tributária, avaliada em R$ 349 milhões. Em seguida, pesam os empréstimos e financiamentos, que geraram um rombo de R$ 142 milhões. Não obstante, a dívida com outros clubes também é um problema notório e já atinge R$ 112 milhões. Desde a queda para a Segundona, antes da pandemia, seus novos dirigentes tentam encontrar caminhos para o clube a longo prazo.

O impressionante prejuízo elevou a dívida do Cruzeiro para R$ 803.486.208, de acordo com o documento. O passivo circulante do clube, as dívidas que precisam ser pagas em um ano, é de R$ 682.034.508, com R$ 207.269.643 sendo não circulantes. A equipe, porém, tem R$ 72.560.830 em receita a apropriar circulante, R$ 12.608.455 em receitas futuras, e R$ 648.658 em caixa e equivalentes.

Também chama a atenção as dívidas com clubes estrangeiros, que chegaram aos R$ 85.165.714. Uma delas, com o Al-Wahda, dos Emirados Árabes Unidos, levou o clube a perder seis pontos na próxima edição da Série B do Campeonato Brasileiro, em punição imposta pela Fifa.

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Agora precisamos de paz, dentro e fora do clube, e precisamos que a torcida abrace o nosso projeto
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Sérgio Santos Rodrigues, novo presidente do Cruzeiro

O mais intrigante, contudo, é que, neste mesmo período, descontada a queda de 15%, em 2019, as receitas do clube tiveram um aumento de 125%, o que se prova que a bandeira do Cruzeiro é forte. Neste intervalo, a maior fonte de renda do clube foi oriunda da venda dos direitos de transmissão de jogos, mais cotas de participação nas partidas. Essa quantia, no entanto, será consideravelmente reduzida neste ano em decorrência de sua queda para a Série B, o que poderá dificultar ainda mais as finanças da equipe. Em 2019, calcula-se que o Cruzeiro recebeu cerca de R$ 70 milhões da televisão. Para este ano, projeta-se que esse valor seja reduzido para R$ 30 milhões, inferior à metade do montante total do ano anterior.

Como clube pretende se reerguer

A Série B está prevista para ser iniciada no dia 8 de agosto. O Cruzeiro irá começar a competição com seis pontos a menos do que seus demais adversários em decorrência de uma dívida com a Fifa. O primeiro embate da equipe celeste será com o Botafogo-SP, no Mineirão, clube ameaçado de cair no Pauistão. Quem estará à frente do time neste complicado 2020 é Sérgio Santos Rodrigues. Ele venceu a eleição presidencial do Cruzeiro, em maio. Rodrigues substituirá José Dalai Rocha, que ocupava o cargo desde a renúncia de Wagner Pires de Sá.  

"Eu saí da mesma arquibancada em que o torcedor vai. Sou de família cruzeirense e poder representar a torcida é um prazer fora do comum. Não tenho dúvida de que, com muita garra e determinação, vamos sair da difícil situação que enfrentamos. Agora precisamos de paz, dentro e fora do clube, e precisamos que a torcida abrace o nosso projeto e seja nossa parceira para que o Cruzeiro suba", declarou o novo presidente. "Planejamos nossa atuação no Cruzeiro desde o início da candidatura. Estudamos dia e noite os problemas do clube e em como solucioná-los. Como sempre falo, os problemas não são maiores do que a marca Cruzeiro. Somos maiores do que qualquer problema", disse Rodrigues.

Em busca do acesso à Série A, o treinador Enderson Moreira irá contar com um elenco farto, mas que será na base do "bom e barato". Ao todo, o técnico espera ter entre 28 e 30 atletas à disposição. Atualmente, o Cruzeiro possui 35 jogadores. Por isso, o clube deverá liberar alguns jogadores. Em junho, o lateral-direito Edílson e o meia Robinho foram dispensados, justamente em razão da situação financeira e por ambos estarem entre os atletas com maior salário no clube.

Apesar do numeroso elenco, Enderson Moreira ainda tem carências no elenco. Na lateral-direita, por exemplo, o treinador conta apenas com Raúl Cáceres e na zaga, Dedé, o principal jogador do setor, deve deixar o clube em breve. 

Atual elenco do Cruzeiro conta com

  • Goleiros: Fábio, Lucas França, Vitor Eudes e Vinícius
  • Zagueiros: Léo, Cacá, Arthur, Ramon, Marllon, Dedé, Paulo e Ramon
  • Lateral-direito: Raúl Cáceres
  • Laterais-esquerdos: Patrick Brey, Marcelo Hermes e João Lucas
  • Volantes: Adriano, Ariel Cabral, Jean, Henrique, Filipe Machado, Pedro Bicalho e Jadsom
  • Meias: Maurício, Claudinho, Régis e Marco Antônio
  • Atacantes: Marcelo Moreno, Thiago, Angulo, Stênio, Judivan, Roberson, Welinton e Vinicius Popó
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