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Eterna culpada

Além de “proteger” certos times, a imprensa é culpada até por erros de arbitragem

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2017 | 04h00

Rodrigo Caio é moço bacana e se destacou nos últimos tempos mais por uma atitude incomum de sinceridade do que propriamente por futebol vistoso. Não que seja perna de pau – longe disso; mereceu até convocação para a seleção. Só não se trata de fora de série. No entanto, ganhou espaço na mídia com o episódio ocorrido no Paulistão durante um São Paulo x Corinthians, no qual alertou o árbitro que Jô não havia cometido falta e, portanto, não merecia cartão amarelo. Parabéns, aplausos para o cavalheirismo.

Rodrigo subiu um degrau no conceito do público e se tornou espécie de porta-voz informal do grupo. Nessa condição, no domingo, após outro clássico “Majestoso”, se sentiu à vontade para criticar a arbitragem – que, de fato, influiu no resultado (1 a 1) ao anular gol tricolor normal. Para amenizar a restrição, alegou que a turma do apito costuma entrar em campo pressionada, em jogos do rival alvinegro, porque a “imprensa toda é corintiana”. 

Pronto, girou, girou e chegou ao clichê utilizado por torcedores, sempre prontos a enxergar benefícios e teorias de conspiração em favor de qualquer adversário, sobretudo se forem Corinthians e Flamengo. Já abordei o tema aqui e mostrei, com dados, como fica muito aquém do imaginado o número de títulos conquistados por essas equipes supostamente protegidas por Imprensa, CBF, federações, Fifa, bispos, o papa, forças cósmicas, UFOs e Ets.

Rodrigo confundiu visibilidade com “blindagem”, termo tão utilizado no mundo dos boleiros. Ou com falta de independência e honestidade. Ou bajulação fajuta, pra ficar no popular. E generaliza “imprensa” tendo como base apenas a televisão. Pois em geral é assim, num país em que se vê muita tv (ou celulares) e se lê pouco: imprensa é sinônimo do que passa em tela pequena.

Corinthians e Flamengo aparecem com muita frequência na tv por questão prática: audiência. Comprovadamente têm mais fãs do que os outros – e fãs espalhados pelo Brasil. Não são times que concentram interesse em determinadas regiões; são “nacionais”.

Logo a seguir, despontam São Paulo, Palmeiras, Vasco, Flu, Santos, Botafogo. Enfim, aqueles que torcedores de muitos centros importantes do País classificam de clubes do eixo Rio-São Paulo, esse “eixo” com conotação irônica e negativa, em alusão ao pacto nefasto de Alemanha, Itália e Japão nos tempos da Segunda Guerra...

Por estilo, temperamento, estratégia de marketing, modelos de programas, alguns profissionais – não raro sem formação jornalística – fazem o gênero de defensores das cores de alvinegros e rubro-negros. Resgatam velha tradição de mesas-redondas em que havia representantes de todos as agremiações.

Deveriam ser analisados sob a ótica do entretenimento, não do Jornalismo. Sutileza importante, mas difícil para o grande público. Mesmo estes, digamos, “torcedores”, não perdem ocasião de descer o malho em Timão e Fla, os tais “queridinhos da mídia”. 

Pessoal, a imprensa esportiva, na enorme maioria das vezes, cumpre o papel que lhe cabe: informar, opinar, esclarecer, perguntar, fiscalizar. Acerta e erra. Jornalista falha e é cobrado! Agora, má fé e incompetência cedo ou tarde são limadas. 

Cabe ao leitor, ao ouvinte, ao telespectador ajudar no processo de aperfeiçoamento ao prestigiar quem exerce com honradez o Jornalismo – e não só aplaudir este porque “defende” seu time ou desprezar aquele porque é “anti”. Se bem que 40 anos de crônica me ensinaram que o torcedor é volúvel. O jornalista isento de hoje é o comprometido de amanhã; e vice-versa...

Dia de campeão

Oba, nesta quarta-feira tem volta olímpica, no Mineirão, depois de Cruzeiro e Fla. Ambos chegam em pé de igualdade para a final da Copa do Brasil, como no 1 a 1 no Rio. 

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