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'Eu fiz o gol da vitória numa final de Copa do Mundo', lembra Zito

Jogador fala sobre o bicampeonato mundial da seleção brasileira, conquistado em 1962, no Chile

Sanches Filho, O Estado de S. Paulo

16 de junho de 2012 | 16h07

Tenho grandes lembranças daquela Copa porque foi a segunda seguida que o Brasil ganhou. E eu me lembro muito bem da conquista e tenho carinho por ela porque fiz um gol na final. Naquele tempo era difícil volante fazer gol, e eu fiz o da vitória numa final de Copa do Mundo. Até hoje consigo narrar esse gol. Foi assim: eu estava lá atrás, perto do Mauro, e pedi a bola. Ele tocou a para mim e toquei para o Zagalo, que também jogava muito atrás. Toquei para o Zagalo e continuei correndo e gritando para ele passar para o Amarildo, que estava na esquerda. O Amarildo foi à linha de fundo e acompanhei pelo meio, gritando 'olha eu, olha eu'. No cruzamento, a bola veio na minha cabeça e fiz o gol.

Outra lembrança é que quando Pelé machucou, no primeiro jogo, todos nós ficamos muito tristes, mas não ficamos com medo. Ele já era o grande jogador. A nossa tristeza foi porque Pelé não poderia jogar mais na Copa. Mas, depois que o Rei se machucou, Garrincha jogou muito, tudo o que ele podia.

Na seleção a disciplina era rígida e todos respeitávamos a hierarquia. Tinha horário para tudo e a única distração era o jogo de baralho. Nosso líder era o Mauro. Ele ganhou a posição do Bellini, que foi o titular em 58, e já entrou no time como capitão. Era muito sério e falava pouco. O mais chato na concentração era o Pelé tocando violão e cantando. E o mais brincalhão, o Garrincha. Não dava sossego em nenhum momento.

Na Copa de 58, na Suécia, fui companheiro de quarto dele e tinha que aguentar todo tipo de brincadeira, de beliscão a tapa na cabeça. Era até chato. No Chile a gente sabia que Mané 'tava' namorando a Elza Soares, mas acho que estava mais alegre porque a nossa seleção era a mais forte e tínhamos certeza de que não iríamos perder para aqueles cabeças de bagre. E também porque ele 'tava' jogando demais. Só depois surgiu aquela história que Garrincha tinha prometido ganhar a Copa para a Elza Soares."

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