Paulo Pinto/São Paulo FC
Paulo Pinto/São Paulo FC

'Eu passo minha experiência de vida para os atletas mais jovens'

Um dos melhores zagueiros do Paulistão, defensor orienta os garotos na transição para o profissional

Entrevista com

Bruno Alves - zagueiro do São Paulo

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2019 | 04h30

Defensor que mais atuou pelo São Paulo em 2019 com 22 jogos, o zagueiro Bruno Alves vem conquistando espaço dentro e fora de campo. Depois de chegar ao clube em 2017 num momento em que o técnico Dorival Junior tinha outras cinco opções na zaga (Robert Arboleda, Rodrigo Caio, Diego Lugano, Aderllan e Douglas), ele se tornou titular da zaga aos poucos. No Paulistão, foi eleito um dos melhores zagueiros da competição. Fora de campo, ele passou a atuar como conselheiro informal dos atletas mais jovens. “A orientação que eu passo é a experiência de vida. Muitos jogadores esperam cinco ou até oito anos de carreira para conseguir jogar no São Paulo. Falo para eles não reclamarem e aproveitarem a oportunidade”, disse Bruno Alves com exclusividade ao Estado.

1. Desde que você chegou, o São Paulo vem vivendo bons e maus momentos. Qual é o balanço que você faz até agora?

Esse período tem sido bastante satisfatório. Quando eu cheguei, eu encontrei o clube em uma situação difícil. Em agosto, o time estava brigando para não cair. Foram momentos difíceis. Com a força do grupo e a força da torcida, nós conseguimos dar a volta por cima e fazer um 2018 melhor. A tendência é continuar evoluindo para buscar o caminho dos títulos que o São Paulo precisa.

2. Você teve a oportunidade de trabalhar com cinco treinadores de 2018 para cá (Dorival, Aguirre, Jardine, Mancini e Cuca). Quais as principais características de cada um deles?

Creio que pude aproveitar um pouco de cada treinador, de cada trabalho feito e da experiência deles e de quem formava as comissões técnicas. Todos com alguma bagagem e que puderam ajudar o grupo e me ajudar a evoluir individualmente também.

3. Como o time conseguiu se recuperar dentro do Paulistão?

Muitas coisas aconteceram no início que não foram boas. A eliminação na Libertadores de uma forma precoce prejudicou bastante. Isso não estava nos nossos planos. A partir do momento que o Mancini assumiu, ele tratou rapidamente de recuperar a confiança e a autoestima de todos. O time foi evoluindo e conseguiu fazer uma segunda fase fase muito boa e conseguiu brigar pelo título até o final. O ponto-chave foi o jogo em casa diante do Ituano. Nós jogamos bem, o que deu confiança para todos.

4. Após a final, você motivou vários colegas, mostrando que o time havia caído de pé. Esse apoio foi gravado e o vídeo teve grande repercussão positiva. Como foi aquele momento?

Foi uma coisa do coração. Não tem como explicar. Você vive e sente o momento. Eu senti vontade de fazer porque eu tinha visto como a gente lutou e batalhou, a nossa superação. Foi uma reta final de superação para o elenco. A gente deu o máximo. Na mistura da dor pela perda do título era preciso ressaltar que a gente lutou até o fim. A gente não podia sair de cabeça baixa na casa do adversário. Nós batalhamos e fomos guerreiros. Infelizmente, nós não conquistamos o título, mas recuperamos a essência e a raça do São Paulo. Nós honramos a camisa até o fim. Esse é o caminho certo para o título. Só ganha o campeonato quem chega.

5. No ano passado, o time chegou à liderança do Brasileirão, mas não se sustentou. O que fazer diferente em 2019?

O Campeonato Brasileiro é muito longo. Acredito que oscilamos na reta final e não poderíamos ter oscilado. Em 2019, precisamos tomar cuidado com os jogos principalmente em casa. Nós empatamos jogos e deixamos escapar. Temos de procurar “matar o jogo” e buscar os pontos fora de casa. Fazer uma pontuação geral boa para brigar lá em cima no G-4 até a reta final e dar a arrancada para o título nas rodadas finais.

6. Você acredita que o time está pronto para brigar pelo título?

O São Paulo sempre entra para brigar pelas primeiras posições. Estamos com um elenco qualificado, com peças importantes de recomposição. O ano é longo. Todo mundo vai jogar e todo mundo vai ser usado. Temos todas as peças para fazer um grande Campeonato Brasileiro e uma grande Copa do Brasil.

7. Como o Cuca gosta de jogar?

O Cuca é um treinador vitorioso, que conquistou títulos por onde passou. A gente confia muito no trabalho dele. Ele tem o elenco na mão. É um cara que pede muita intensidade, gosta de jogadas trabalhadas e procura trabalhar muito a parte ofensiva e de criação das jogadas. Ele gosta de manter a posse de bola, sair jogando com velocidade. Estamos evoluindo e estamos fazendo o que ele pede para termos sucesso no ano.

8. O São Paulo tem revelado muitos jogadores, principalmente do meio para a frente. Agora, estão aparecendo novos zagueiros também? Quais as orientações que você dá para eles?

A orientação que eu passo é a experiência de vida. Eu falo que eles estão no São Paulo. Muitos jogadores esperam cinco ou até oito anos de carreira para conseguir jogar aqui. Eles estão tendo a oportunidade de subir da base e jogar no clube. Eu falo para eles aproveitarem ao máximo. Falo para eles não reclamarem e aproveitarem a oportunidade de estar nesse clube. Eu converso com aqueles que não tiveram oportunidade para ficarem firme e esperarem a hora. No futebol, as coisas acontecem rapidamente, como uma lesão ou uma suspensão. Eles ouvem isso e gostam de conversar comigo. Eles são dedicados e terão a sua hora.

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