Arnd Wiegmann/Reuters
Arnd Wiegmann/Reuters

Nike é investigada pelos EUA por suspeitas de subornos à CBF

Multinacional pode receber multa milionária em caso de condenação

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S. Paulo

18 de julho de 2015 | 09h56

As autoridades americanas abriram um inquérito contra a Nike por suspeitas de suborno em relação à CBF e o contrato avaliado em US$ 160 milhões com a seleção brasileira. O caso está na poderosa SEC, a comissão de valores mobiliários dos EUA e que vai examinar se acionistas foram fraudados pelo acordo. 

A Nike é uma das empresas americanas que, por conta do escândalo de corrupção na Fifa, estão sendo examinadas pelas autoridades de regulação. Entre os patrocinadores da entidade também estão a Coca-Cola e a Visa. 

Se ficar determinado que a Nike ou qualquer outra empresa violou as regras de combate à corrupção nos EUA, as multinacionais podem sofrer multas milionárias. No Brasil, o caso gerou a abertura de uma CPI há mais de dez anos e que não resultou em qualquer tipo de punição.

Hoje, a principal suspeita que recai contra a Nike é sua relação com o Brasil. Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, é suspeito de ter dividido com o empresário José Hawilla uma propina de US$ 30 milhões por terem fechado um acordo com a empresa americana em 1996, dando exclusividade à marca americana para explorar a seleção brasileira. 

A apuração fez parte do indiciamento do executivo que fundou a Traffic e é apresentado como um dos casos de corrupção no escândalo envolvendo o futebol. 

Com casa no sul da Flórida, Teixeira tentou vender seus ativos nos EUA, evitando que fossem confiscados pela Justiça. Os americanos, no caso do brasileiro, estariam colaborando também com a Suíça, que investiga Teixeira no âmbito da votação realizada para sediar as Copas de 2018 e 2022.

Nos documentos oficiais do próprio Departamento de Justiça dos EUA, o acordo entre a CBF e a Nike é de fato colocado sob suspeita. O indiciamento aponta como a instituição brasileira havia fechado um acordo milionário com a empresa americana e que previa um pagamento extra em uma conta na Suíça de US$ 40 milhões para a Traffic. 

No total, o contrato estava avaliado em US$ 160 milhões e, em 1996, foi considerado como o maior acordo de marketing da história do futebol. Um dos seus intermediários foi o chefe da Nike no Brasil, Sandro Rosell, que anos mais tarde seria o presidente do Barcelona e amigo íntimo de Teixeira.

Depois de fechar o acordo com a Nike, entre 1996 e 1999, Hawilla emitiria notas por serviços supostamente prestados no valor de US$ 30 milhões para a Nike que, em troca, o fazia os depósitos. O empresário ainda se comprometia a pagar metade desse valor a Teixeira. Para a Justiça americana, esse valor se refere a "propinas e subornos" que o chefe da CBF e o empresário brasileiro receberam da Nike por ter-lhes concedido o contrato com a seleção brasileira.

Apesar de o suborno não envolver um estado, e sim a CBF, a Nike ainda assim pode ser multada. Pela lei americana, uma empresa pode ser condenada se registrar de forma falsa a entrega de uma propina como se fosse um gasto legítimo de negócios. 

Em uma nota à imprensa a Nike indicou que está "comprometida em cooperar com qualquer investigação governamental relacionado com a Fifa". 

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