Lucas Jackson/Reuters
Lucas Jackson/Reuters

EUA dizem que corrupção era “estilo de vida” de Marin e cartolas

Brasileiro pede para não ser julgado com outros cartolas, enquanto 350 mil documentos serão apresentados no processo

Jamil Chade, correspondente na Suíça, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2017 | 07h05

José Maria Marin, ex-presidente da CBF em prisão domiciliar nos EUA, quer distância de seus ex-colegas cartolas. Nesta quinta-feira, seus advogados voltaram a pedir ao Tribunal no Brooklin que separe o seu caso dos restantes, alegando que ele não tem qualquer relação com as denúncias feitas e que o volume de acusações contra os demais pode contaminar o seu caso. Mas, para os procuradores americanos, a corrupção do brasileiro e do restante dos dirigentes era “um estilo de vida” generalizado. 

Dos 42 indiciados até hoje no maior escândalo do futebol internacional, 20 já se declararam culpados. Cinco deles, porém, insistem que são inocentes, enquanto os demais ainda não foram detidos ou negociam acordos de delação. 

“Meu cliente enfrentará dia após dia a evidência de que não está relacionado com o restante das acusações e isso o prejudicará”, disse o advogado do brasileiro, Charles Spillman, em uma sessão na noite de quinta-feira nos EUA. “Isso pode ser eliminado com um julgamento separado”, insistiu. 

Marin não é o único a buscar essa estratégia. O mesmo tem sido defendido pelo ex-presidente da Conmebol, Juan Ángel Napout, pelo peruano Manuel Burga, além dos cartolas da América Central, Héctor Trujillo e Costas Takkas. 

Os procuradores americanos já deixaram claro que não querem tal separação e, em tentativas anteriores, a juíza Pamela Chen já deixou claro que tampouco era favorável a isso. 

O julgamento começa no dia 6 de novembro e Chen insiste que não mudará a data. “O caso é inevitavelmente complexo”, disse. Estima-se que 350 mil documentos de evidências serão apresentados durante o julgamento, que pode se arrastar por meses. “As evidências chegam de todo o mundo”, afirmou.

Para a procuradora americana, Kristin Mace, não se pode separar o caso de Marin dos demais. “O problema é a natureza do crime. Não se trata de uma situação onde você tem instâncias discretas de corrupção. Trata-se de algo bem maior”, insistiu. “Esse era um estilo de vida. Trata-se de um problema que era tão abrangente que era um padrão em todos os continentes, entre diferentes federações de futebol”, disse. 

Chen não descarta separar o grupo daqueles que se dizem inocentes em dois, com Marin, Napout e Burga da Conmebol em um, e Takkas e Trujillo (Concacaf), em outro. 

“A única coisa em comum entre eles é que estão envolvidos em supostos casos de propinas. Mas isso não significa que devem estar sob o mesmo caso”, insistiu Bruce Udolf, advogado do peruano Manuel Burga. 

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