Jorge Adorno/Reuters
Jorge Adorno/Reuters

EUA se consolidam como favoritos na corrida para sediar a Copa de 2026

Avaliação da entidade diz que candidatura do Marrocos representa 'riscos', mas decisão será tomada também com base em aspectos políticos

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S.Paulo

01 Junho 2018 | 18h28

Depois de muito suspense, a Fifa permite que a candidatura do Marrocos para sediar a Copa de 2026 seja mantida. Mas alerta que o país conta com sérios problemas para receber o primeiro Mundial com 48 seleções, que um evento ali seria de "risco" e deixa claro que todo o favoritismo está com o projeto conjunto de Estados Unidos, México e Canadá.

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Nesta sexta-feira, a entidade publicou o relatório de avaliação das duas candidaturas no páreo. De um lado, o projeto de EUA-México-Canadá (conhecida como United 2026) recebeu elogios e quatro pontos, numa escala que vai de zero a 5. Já o Marrocos recebeu apenas 2,7 pontos. O país africano seria eliminado se somasse menos de 2,5 pontos.

No que se refere aos estádios, os norte-americanos somaram 4,1 pontos, contra apenas 2,3 para o Marrocos. A arena de Casablanca, que serviria de abertura e encerramento, apenas estaria pronto em 2025. 

Em 17 critérios diferentes - que inclui desde acomodação às garantias legais, acesso a jornalistas ou segurança - os norte-americanos foram vistos em 15 deles como representando um risco "baixo" para os organizadores. 

No caso do Marrocos, o baixo risco só foi identificado em cinco dos 17 pontos. No restante, todos foram considerados como sendo de um "elevado" ou "moderado" risco levar a Copa ao país. Acomodação, estádios e transporte (2,1 pontos) tiveram as notas baixas, justamente nos setores mais críticos. Mas os africanos insistiram que têm US$ 16 bilhões para gastar no evento. 

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Com 80 jogos que seriam disputados, a Fifa aponta que em apenas duas das 12 sedes do Marrocos existem hotéis suficientes para acomodar os torcedores. Em alguns deles, não haveria nem suficiente para os jogadores, imprensa e organizadores.  Já na América do Norte, são 23 estádios oferecidos em 23 cidades, todos praticamente prontos.

No que se refere aos comentários, a Fifa não deixa dúvidas de quem favorece. “A United 2026 já tem a infra-estrutura instalada”, disse a avaliação. Já para o Marrocos, a percepção é de que existe um “risco generalizado". 

A renda também seria muito diferente. Nos EUA, a promessa dos organizadores é de que, em 2026, a Fifa saia do torneio com uma receita de US$ 14,3 bilhões, quase três vezes o volume gerado no Brasil em 2014. No Marrocos, porém, a renda seria de apenas US$ 7 bilhões. 

O Estado apurou que, durante o dia, técnicos da Fifa tentaram até mesmo eliminar a candidatura marroquina. Mas o custo político, principalmente na África, seria elevado para o presidente Gianni Infantino. 

Trump

Um ponto negativo para os americanos, porém, foi a incapacidade dos organizadores de provar que não existiria algum tipo de discriminação para a entrada de torcedores estrangeiros ao país, em 2026. Isso seria um reflexo das políticas de Donald Trump em termos de imigração. 

A decisão sobre a sede de 2026 ocorre no próximo dia 13, em Moscou. Essa será a primeira vez que todas as 209 federações nacionais votarão pela sede da Copa desde os anos 60. Além disso, os votos serão publicados. As mudanças ocorreram depois dos escândalos de corrupção envolvendo a concessão do Mundiais de 2018 e 2022. Até então, apenas os 24 membros do Comitê Executivo da Fifa tinham o poder de votar e, ainda assim, de forma secreta. 

Apesar da nota baixa, os organizadores marroquinos optaram por comemorar. “Mostramos que estamos no mesmo nível das grandes nações”, disse Boulay Elalamy, presidente do comitê de candidatura do Marrocos.  

Política

De fato, a avaliação negativa sobre o Marrocos não significa o fim da disputa. Não são poucos dentro da família do futebol que insistem em lembrar que o Catar foi a candidatura que recebeu a pior nota em sua corrida para sediar a Copa de 2022. E, quando a votação foi realizada, ganhou por uma ampla margem de votos contra EUA, Japão e Austrália. 

A partir de agora, os votos serão feitos com base em alianças políticas, interesses comerciais e barganhas. Mesmo que a Fifa tenha insistido que a avaliação deve servir de base para a escolha, nem os norte-americanos e nem os marroquinos estão dispostos a abrir mão da política. 

O próprio presidente americano, Donald Trump, tem usado viagens de presidentes africanos para Washington para cobrar apoio à candidatura norte-americana. Do lado africano, a presença do Marrocos se transformou em um assunto de estado no continente. 

Mas a política também ocorre dentro da Fifa. Fontes do lado marroquino sugerem que houve uma posição tendenciosa por parte do presidente Gianni Infantino, em apoio aos americanos. De um lado, ele estaria interessado na renda recorde que a Copa geraria nos EUA. De outro, estaria disposto a “compensar” os americanos pela humilhação que sofreram ao perder o direito de sediar a Copa para o Catar.

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