Eurico diz que Vasco devia para ele

O presidente do Vasco, Eurico Miranda, negou ter utilizado dinheiro do clube para pagar suas contas particulares. Segundo o dirigente, os cheques assinados pelo ex-presidente vascaíno Antônio Soares Calçada, cujos valores aproximam-se a R$ 400 mil até 1997, foram emitidos para ressarcí-lo de recursos próprios aplicados no clube. Eurico também utilizou o mesmo argumento para justificar outros cheques recebidos por membros da diretoria vascaína. "Eles pagavam do próprio bolso a padaria, alimentação e, depois, eram reembolsados. Isso não é crime e está tudo comprovado em nossa contabilidade", afirmou. Sobre o funcionário do Vasco Aremithas José de Lima, apontado por membros da CPI do Futebol como um "laranja", utilizado para desviar dinheiro do clube, Eurico admitiu que todos os recursos desta conta são dele. Segundo o presidente vascaíno, além de trabalhar para o clube, Lima é o responsável pelo pagamento de suas contas há 23 anos. Apesar de dizer que todo o dinheiro da conta de Lima pertence a ele, entre outubro de 1998 e fevereiro de 1999, quando os recursos aplicados em contas do Vasco estavam sendo bloqueados, Eurico disse ter utilizado a mesma conta para fazer as movimentações e receber recursos do clube. "Foi a solução para resolver este problema", disse. O presidente do Vasco também admitiu que o artilheiro Romário emprestou dinheiro para o clube e refutou qualquer possibilidade de ele deixar a equipe. Segundo Eurico, o "empréstimo" foi necessário porque o clube está sem receber suas cotas dos direitos de transmissão da TV, desde o início do ano. "A retenção deve estar girando em torno de US$ 10 milhões, que deveriam estar sendo pagos ao longo de três anos", justificou. Eurico voltou a atacar os membros da CPI do Futebol no Senado, a quem chamou de "incompetentes" e disse que a comissão está empenhada em prejudicar não só a ele, como ao Vasco. O dirigente ainda levantou suspeitas sob as arbitragens do Campeonato Brasileiro. Segundo ele, tudo será feito para impedir que o Vasco chegue as finais da competição. A multa aplicada pelo Conselho de Recursos do Sistema Financeiro, de US$ 1,3 milhão, por causa da negociação do passe do atacante Bebeto para o La Coruña, da Espanha, foi considerada injusta pelo presidente do Vasco. Eurico informou que, além de não pagá-la, vai recorrer da decisão.

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