Eurico pode ter mandato cassado dia 6

A Mesa Diretora da Câmara deverá votar, dia 6, pedido de cassação do mandato do deputado Eurico Miranda (PPB-RJ) por quebra de decoro parlamentar. O deputado e presidente do Vasco da Gama é acusado de desviar cerca de R$ 476 mil do clube carioca para a sua campanha eleitoral em 1988. O corregedor da Câmara, deputado Barbosa Neto (PMDB-GO), entregou nesta quarta-feira parecer favorável à cassação. Se o parecer aprovado pela mesa diretora, o processo de cassação será encaminhado imediatamente ao Conselho de Ética, que terá prazo de 90 dias para analisá-lo. Uma vez no conselho, o deputado não poderá mais usar o artifício de renunciar ao mandato para fugir da punição de inelegibilidade. Mas a cassação só poderá ser consumada pela maioria dos votos do plenário da Câmara. A votação é secreta. A mesa não votou nesta quarta-feira o parecer de Neto, porque o primeiro-secretário, o deputado pernambucano Severino Cavalcanti, que é do mesmo partido de Eurico, pediu vistas do processo. "Não quero ser incorreto com a minha própria consciência", justificou o colega de bancada, dizendo que não é uma estratégia para ganhar tempo e empurarrar a votação para depois da campanha eleitoral. Cavalcanti era corregedor da Câmara, quando no ano passado, recebeu do presidente da Comissão Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) de Futebol do Senado, senador Álvaro Dias (PDT-PR), denúncia contra Miranda. O senador se queixava de que o cartola havia dirigido a ele palavras ofensivas durante os trabalhos de investigação. Miranda teimava em desrespeitar convocação da CPI e Dias afirmou que deputado prestaria depoimento mesmo que fosse "sob vara" (por determinação judicial). O explosivo cartola retrucou que quem entendia de vara era o presidente da comissão, insinuando tendência homossexual do senador. O então corregedor mandou arquivar essa reclamação bem como as denúncias de sonegação de impostos e evasão de divisas, nas vendas de jogadores para o exterior, apresentadas contra Miranda. Cavalcanti explicou que não recebeu qualquer informação da Receita Federal e do Banco Central confirmando as denúncias. Agora, quer conhecer os dados apurados pelo novo corregedor. Se existirem provas, Cavalcanti promete votar favorável à abertura de processo para a cassação. "Não me envergo por pressão do meu partido, nem da Rede Globo", diz o pernambucano para atestar sua isenção. Ele lembra que deu parecer favorável à cassação do mais ilustre parlamentar do seu partido, o ex-deputado Sérgio Naya (MG), responsável pelo desabamento do Palace II no Rio de Janeiro. Naya cometeu a inconfidência de afirmar que falsificava até assinatura de governador, num encontro com correligionários. Na opinião de Cavalcanti, a Globo faz campanha contra o cartola.

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