Christophe Ena/AP - 16/12/2014
Christophe Ena/AP - 16/12/2014

Europa lança ofensiva para controlar o futebol mundial após 40 anos

Joseph Blatter apresentará seu plano de reforma da Fifa

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE NA SUÍÇA , O Estado de S. Paulo

19 de julho de 2015 | 15h38

Com o Brasil fora do páreo e a Conmebol enfraquecida por suspeitas de corrupção, a Europa se prepara para um golpe que promete recolocar a Fifa nas mãos da Uefa, depois de 40 anos. Hoje, a entidade volta a se reunir em caráter de emergência, quase dois meses depois das prisões de seus cartolas em Zurique. 

 

O objetivo é o de tentar fixar uma data para as eleições, definir o destino de Joseph Blatter, que prometeu deixar o poder, e ainda reformar a entidade.

 

O Estado apurou que, ontem em Zurique, Michel Platini, presidente da Uefa, iniciou manobras para derrubar Blatter. Ele convocou reuniões extra-oficiais com o presidente da Confederação Asiática de Futebol, Salman Bin Ebrahim Al Khalifa, e com o presidente da Conmebol, Juan Napout. 

 

Horas depois, num encontro apenas entre Blatter, Michel Platini e poucos dirigentes, as divergências entre os cartolas ficaram escancarada. 

 

Com o futebol mais rico do mundo, tendo conquistado as três últimas Copas e fornecendo 70% dos jogadores dos Mundiais, a Europa quer agora também o controle sobre a Fifa. Para isso, precisa garantir um afastamento rápido do presidente Joseph Blatter e costurar uma aliança para permitir a vitória de um nome europeu. 

 

Em 1974, o brasileiro João Havelange foi eleito, superando justamente um inglês. Em 1998, ele faria seu sucessor, Joseph Blatter. Apesar de suíço, ele jamais teve o apoio europeu e foi sempre o candidato de sul-americanos, africanos e asiáticos. 

 

Agora, o que se debate nos bastidores é como realizar o golpe. O candidato natural seria Michel Platini, presidente da Uefa. Mas a ideia inicial não é a de dar o poder imediatamente para o francês, que ainda conta com forte resistência na África e que tem mais de 50 dos 209 votos da entidade. 

 

Uma possibilidade examinada seria a de buscar um nome de consenso e que pudesse ser de atraente a federações fora da Europa. 

 

Para Platini, essa opção também seria cômoda. O francês, assim, não teria o trabalho de assumir uma entidade em ruinas e com dezenas de casos legais que ainda podem surgir contra seus membros. Platini, assim, se apresentaria para o cargo em quatro anos.

 

Outra brecha que será aproveitada pela Uefa é a fragilidade do Brasil e da Conmebol, assolados em escândalos. Se até pouco tempo Brasil e Argentina conseguiam impor um nome na região, as últimas eleições já mostraram que a Conmebol não votou em bloco.

 

Com a ausência de Marco Polo Del Nero nesta semana, fontes da Uefa consideram que ficou “aberto o caminho” para convencer a região a apoiar o bloco europeu. Mas a Uefa quer uma eleição rápida, ainda em dezembro, para evitar dar espaço para que Blatter construa uma aliança. O suíço quer deixar o pleito para 2016.

 

Jerome Champagne, ex-alto funcionário da Fifa e que chegou a ser candidato neste ano à presidência, alerta para os riscos de a Uefa controlar a entidade. « Não podemos dar as chaves do futebol e da Fifa aos que já tem mais poder », disse.  

 

CONTRA-GOLPE

Blatter, porém, tentará impedir o golpe. Sua ideia é a de apresentar hoje uma reforma que mude a estrutura das eleições. A meta é a de reduzir as chances de um candidato europeu que possa controlar o destino da Fifa.

 

Para isso, vai sugerir uma ampliação do Comitê Executivo da Fifa para que tenha mais representantes de países de fora da Europa. Além disso, as confederações regionais não teriam mais o poder de escolher seus representantes, o que ficaria para uma eleição geral entre as 209 federações nacionais. 

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