Kacper Pempel/Reuters
Kacper Pempel/Reuters

Europa passa a ser referência no futebol de base

Tendência das Copas se repete nas categorias inferiores; no Mundial Sub-20, últimos quatro campeões são europeus

Leandro Silveira, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2019 | 04h30

O melhor futebol de base do planeta é europeu. Dominante nos últimos anos nas Copas do Mundo e também nos torneios entre clubes, os representantes do Velho Continente também passaram a ser soberanos nos Mundiais de base da Fifa, tendo conquistado recentemente o quarto título consecutivo na categoria sub-20, dessa vez com a Ucrânia.

Outrora dominado principalmente por Argentina e Brasil, maiores vencedores com seis e cinco títulos, respectivamente, o Mundial Sub-20 passa por nova realidade. França (2013), Sérvia (2015), Inglaterra (2017) e, agora, Ucrânia levaram para a Europa as últimas taças do torneio de juniores.

Assim, antes coadjuvantes na competição, as seleções do Velho Continente já ameaçam até mesmo o domínio histórico dos sul-americanos no Mundial Sub-20. Na avaliação de Ney Franco, a balança passou a pender para o lado europeu pela evolução da preparação das suas seleções.

“Antigamente, a América do Sul tinha o domínio, mas agora o trabalho de base dos europeus sobressai pela metodologia, a organização, a parte financeira dos clubes, algo que permite uma melhor formação cognitiva e esportiva dos atletas, lhe dando estudo. Ficamos um pouco para trás porque outros países vem fazendo melhor”, avaliou, em entrevista ao Estado, o hoje técnico da Chapecoense e que estava à frente da seleção em 2011 no Mundial Sub-20, na última conquista do Brasil e de uma equipe sul-americana.

Na opinião de Ney Franco, além do maior tempo de preparação para os torneios, as seleções europeias também passaram a sobressair sobre as sul-americanas em função da força física, que se aliou ao talento, com essas equipes conseguindo ser mais intensas durante os jogos e torneios.

“As equipes estão com uma intensidade muito alta. Além do jogador correr 13 km, consegue fazer ações curtas e de muita intensidade várias vezes e por mais tempo, com ‘sprints’ e arrancadas. Isso é algo que os clubes precisam trabalhar, além da parte tática, ou não conseguiremos competir internacionalmente. A grande virtude do futebol brasileiro é a parte técnica, mas precisamos aliá-la com a força física ou ficaremos para trás”, disse o treinador da Chapecoense.

A conquista desses títulos por diferentes seleções europeias e a presença de equipes de menor tradição nas fases decisivas do Mundial Sub-20 – a Coreia do Sul foi vice-campeã neste ano, enquanto o Equador, que já havia levado o título sul-americano, foi o terceiro colocado – também apontam para torneios mais equilibrados entre as equipes, com a emergência de novas forças. “A Coreia do Sul antes contava com jogadores que até tinham força e talento, mas precisavam sair de lá para desenvolver, fazendo intercâmbios. Eles investiram muito nisso”, afirma Ney, que observou várias equipes estrangeiras virem ao Brasil para adquirem conhecimento e evolução.

Assim, o predomínio que já se via na Copa do Mundo, com os europeus tendo faturado os últimos quatro títulos e tendo colocado quatro seleções nas semifinais na Rússia-2018, também se tornou realidade na base. Prova de que não só o poderio financeiro explica um domínio que também é visto no Mundial de Clubes, com os times europeus tendo vencido as seis últimas edições do torneio.

O próximo território a ser conquistado pelos europeus parece ser o Mundial Sub-17. O continente já tem o último campeão, a Inglaterra, mas ainda está longe dos número de títulos dos africanos – sete contra quatro. Essa distância poderá ser diminuída ainda neste ano, quando o torneio será disputado no Brasil, a partir de 26 de outubro.

A seleção brasileira, aliás, só participará do torneio por ser o país-sede, pois fracassou recentemente no Sul-Americano da categoria, algo que tem se repetido no sub-20 a ponto de nem ter participado de três dos últimos quatro Mundiais. E, de longe, tem visto os europeus assumirem um protagonismo que era seu e dos argentinos. 

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