Europeus criam fundo para investir em jogadores brasileiros

Comprar jogador no Brasil e vender na Europa é mesmo um dos melhores negócios do mundo atualmente. E os bancos começam a despertar para isso. Um fundo de investimento, que conta com os conselhos de Pelé, acaba de ser lançado na Europa para captar US$ 30 milhões para formar jovens craques no Brasil.Os administradores do fundo prometem aos investidores que o retorno ocorrerá em quatro ou cinco anos, quando esses jogadores conseguirem ser transferidos para os grandes clubes europeus por contratos milionários. A lógica é simples: assim como ouro, soja ou petróleo são alvos de investimentos, jogadores brasileiros também estão se transformando em possibilidades de lucros para quem conta com recursos nos bancos europeus.O dinheiro coletado do fundo será usado em um centro de treinamento de jovens jogadores. Os mais promissores serão colocados no Paulista, de Jundiaí, como uma primeira etapa de suas profissões. Quem se sair bem, será então transferido para o futebol europeu. Mas eles não irão diretamente para um clube grande da Europa. O fundo fechou um contrato com o time do Lausanne Sport, na Suíça, para servir como base para esses brasileiros que estejam chegando ao futebol europeu. O clube suíço, apesar de modesto, se transformará em uma plataforma para a adaptação do atleta e, principalmente, para que seu passe seja valorizado em uma segunda transferência para outro clube europeu.Estudos feitos pelos gestores do projeto concluíram que o passe de um jogador brasileiro ganha uma forte valorização entre seu primeiro clube na Europa e um eventual segundo time. Isso ocorreu com inúmeros jogadores, como Ronaldinho Gaúcho entre sua passagem do Paris Saint-Germain (França) e o Barcelona (Espanha). Outro que teve passe valorizado foi o próprio Ronaldo, que antes de brilhar no Barcelona passou pelo PSV Eindhoven, da Holanda.No Brasil, o Grupo Fator é um dos pilares da iniciativa na área financeira. O fundo, porém, foi registrado em Luxemburgo, um paraíso fiscal, e ainda envolve parceiros na Suíça.Lançado no final do ano passado, o fundo já captou mais de US$ 15 milhões. A previsão de atingir US$ 30 milhões. E os organizadores já esperam chegar a US$ 50 milhões em um segundo momento.Para convencer grandes investidores a apostarem no projeto, o fundo explica que o dinheiro não será usado apenas para formar o jogador no campo. Há planos de construção de escolas, centro de saúde e mesmo assistências às famílias dos futuros craques. Os organizadores do fundo se recusam, no entanto, a serem comparados à MSI. ?No caso do novo projeto, a transparência nas transações será fundamental. Caso contrário, nenhum grande investidor aceitará colocar seu dinheiro no projeto?, afirmou uma das pessoas envolvidas. Além de Pelé, que trabalhará identificando esses novos talentos do futebol brasileiro e dando orientações, o projeto inclui especialistas em investimento de risco e até professores da Faculdade Getúlio Vargas.

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