Europeus reabrem mercado com cautela

Os clubes europeus podem ir às compras a partir desta quinta-feira. Até o fim do mês - ou início de fevereiro, em alguns casos -, o mercado de transferências está aberto nos principais centros do continente. A legislação permite que jogadores possam trocar de equipe, dentro dos próprios países, sem contar a liberdade de mudanças internacionais. Talentos de Brasil e Argentina entram na mira da força dos euros, embora não se prevejam grandes investimentos ou golpes de cena sensacionais.O nome mais famoso à disposição - e que já deu a volta ao mundo nas especulações - é o de Rivaldo. Desde que rompeu pela segunda e definitiva vez com o Milan, o pentacampeão apareceu como objeto de desejo de Chelsea, Tottenham, Espanyol, Porto, Benfica e agora Spartak Moscou. Sem falar que teria recebido sondagens de América (México), Al Ittihad (Arábia), Flamengo, Botafogo, Cruzeiro, Corinthians, São Paulo e Palmeiras. A definição não passa das próximas semanas - e o desemprego de um dos astros da seleção na Copa de 2002 terá curta duração.Há outros brasileiros que podem mudar de ares. Por conta da crise na Parmalat, à beira da bancarrota, o Parma corre o risco de ver-se obrigado a ceder suas pérolas. A mais valiosa é Adriano, revelado pelo Flamengo e que hoje, aos 21 anos, vale mais de US$ 45 milhões. A Inter de Milão se dispôs a comprar metade do passe - a outra já era sua - e promete depositar o equivalente a US$ 23 milhões na conta abalada do Parma. O lateral-esquerdo Júnior também aguça a cobiça de times de ponta e o japonês Hidetoshi Nakata fez as malas e foi para Bolonha. O goleiro francês Frey está com um pé no Arsenal, de Londres.Debandada? - O Santos, com suas estrelas em ascensão, desponta como ponto de referência na Europa. É preciso descontar as notícias plantadas, para atender a interesses de empresários. Mesmo assim, parece real interesse por jogadores como Alex, Diego, Robinho e Renato.Jornais italianos afirmam que Leonardo, assessor de Adriano Galliani, vice-presidente do Milan, recomendou Alex para compor a zaga. Só que o negócio seria fechado em março e a apresentação ficaria para o meio do ano. O Real Madrid tenderia a atravessar. Luís Fabiano igualmente foi elogiado pelo ex-lateral-esquerdo, mas a crítica da Itália compara o artilheiro do São Paulo a Edmundo, "no temperamento". Renato, já se falou, interessaria ao Bayern de Munique, ao Leverkusen ou mesmo à Inter de Milão. Até agora, porém, só fumaça. Diego encanta espanhóis e tempos atrás recebeu proposta do Tottenham. Até o momento, o vice-campeão brasileiro de 2003 só se desfez de Fabiano, que vai tentar a vida no modesto Albacete.A Juventus tem opção por Lúcio, criticado por seu desempenho na seleção, mas com prestígio no Bayer Leverkusen. O projeto italiano pode gorar, porque o Chelsea acenou com a intenção de pagar US$ 25 milhões.Mão aberta - O clube londrino surge como o candidato a extravagâncias de inverno. O magnata russo Roman Abramovich tomou gosto em torrar milhões de dólares em reforços e se mostra disposto a rechear o elenco do Chelsea com mais gente famosa. Nas últimas semanas, já deixou vários concorrentes em alerta, ao elogiar o argentino Ayala (do Valencia), o holandês Van Nistelrooy (do Manchester United), o italiano Vieri (da Inter), o francês Trezeguet (da Juventus), o português Figo (do Real Madrid). Abramovich é o terror de seus colegas de cartolagem, porque assina cheques astronômicos com muita facilidade.Alguns gigantes europeus, no entanto, andam a passo lento. O Manchester trata de garantir a permanência de Van Nistelrooy e fica mais na sondagem do mercado. O Real Madrid, que não costuma surpreender no meio do ano, não deve fugir à tradição e ficará no máximo em negociações de varejo neste período. O presidente Florentino Perez afirma, com justificada empáfia, que não há muito o que acrescentar ao grupo atual. O Barcelona fica em seu canto, matutando saídas para a crise técnica, e não fala em contratações. A questão urgente é saber se confirma o treinador Frank Rijkaard ou se parte para nova reformulação.O mercado de inverno não começa aquecido, mas não se pode nunca subestimar o poder e a ganância dos europeus.

Agencia Estado,

01 de janeiro de 2004 | 18h31

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