Evangélico, Dinélson vai a Aparecida

No dia seguinte à final da Copa São Paulo de juniores, os jogadores do Corinthians foram à Basílica de Aparecida do Norte (SP). Assistiram a uma missa e agradeceram à conquista. A ?romaria? foi um pedido feito ainda no vestiário do Pacaembu pelo técnico Adaílton Ladeira. Mesmo quem não é católico foi à Basílica. Inclusive o evangélico Dinélson, herói do título. ?Cada um tem seu Deus. Eu tenho o meu. Mas pelo bem do grupo e por ter sido um pedido do treinador, achei legal ir a Aparecida?.Dinélson não se importou porque tinha motivos de sobra para estar feliz. Os dois gols feitos contra o Nacional, que deram o sexto título da Copinha ao Corinthians, catapultaram o meio-campista à condição de novo ídolo da Fiel. ?Parece que estou vivendo um sonho. Cheguei a pensar em parar de jogar. Mas essa partida fez com que todos passassem a conhecer meu verdadeiro futebol. Não só a torcida, mas também a imprensa. Foi como uma volta por cima?, diz Dinélson.Ele explica: ?Passei um ano muito difícil. Fiz um bom Campeonato Brasileiro pelo Guarani (em 2003), fiz cinco gols e fui contratado. Cheguei com vários outros jogadores, mas o time não foi bem e eu acabei afundando junto. Foram todos para o mesmo buraco. Fui afastado com outros jogadores, como o Piá, o Régis e o Adrianinho. Para piorar, tive vários problemas de lesão?.A contusão mais grave foi no púbis, que o atrapalhava em movimentos básicos, como em lançamentos e chutes a gol. Dinélson procurou os médicos do Corinthians em junho. ?Mas por eu estar com apenas 17 anos na época, eles falaram que era muito cedo para eu ser operado. Acharam melhor dar um tempo para ver se eu me curava?, diz o meia, que só foi operado dois meses depois. Foi nesse período que ele chegou a pensar até em parar de jogar. ?Hoje, vi que aquilo foi até bom. Tirei forças para continuar lutando e consegui?.Por causa da lesão, ele só pôde participar de três jogos na Copa São Paulo. Foi reserva na final contra Nacional justamente por não estar 100% fisicamente. Mas entrou no intervalo e acabou com o jogo. Agora, espera ser reintegrado ao elenco profissional. ?Ainda não me falaram nada sobre o que vai acontecer daqui pra frente. Não sei se vou para Porto Feliz e começo a treinar com os profissionais ou se entro de férias como os outros juniores, como andam dizendo. Espero logo uma definição?, diz o meio-campista. O presidente do Corinthians, Alberto Dualib, chegou a afirmar ainda no Pacaembu que todos os juniores seriam promovidos. Kia Joorabchian, o homem-forte da MSI, porém, não está propenso a rechear o elenco de garotos formados na base do clube. O meia Dinélson seria uma das poucas exceções, assim como o volante Bruno Octávio. Ambos jogam em posições carentes no time principal.Força - Baiano de Anagé, Dinélson chegou a São Paulo com sete anos. Veio com os pais e mais dois irmãos. Os primeiros chutes foram no time do Força Sindical. Num amistoso contra o Guarani, chamou a atenção de dirigentes do clube de Campinas e acabou contratado. Passou um ano e seis meses no Brinco de Ouro, até ser contratado pelo Corinthians, em janeiro do ano passado.Pensando no futuro, principalmente na tão sonhada transferência para o futebol europeu, Dinélson faz aulas de inglês regularmente. ?Acho importante continuar estudando. Terminei o segundo grau e fiquei com as noites livres. Treinava de manhã e à tarde e ficava sem ter o que fazer à noite. Foi por isso também que resolvi começar a fazer inglês?.

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