Andrew Yates/AFP
Andrew Yates/AFP

Evra revela que sofreu ameaças de morte após episódio de racismo com Suárez em 2011

Na época, atacante uruguaio defendia o Liverpool e foi suspenso por oito jogos pela Federação Inglesa

Redação, AFP

05 de maio de 2020 | 08h51

O ex-jogador francês do Manchester United, Patrice Evra, disse que recebeu ameaças de morte após o episódio racista que teve com o então atacante uruguaio do Liverpool, Luis Suarez, em 2011.

O atacante sul-americano foi sancionado com oito jogos pela Federação Inglesa de Futebol, sendo considerado culpado de insultos racistas contra Evra em uma partida disputada em Anfield em outubro daquele ano.

No entanto, o Liverpool defendeu a inocência do jogador e a tensão aumentou entre os dois grandes rivais do futebol inglês. Evra revelou que uma das consequências do caso foi que o francês começou a receber ameaças de morte contra ele e sua família.

"O Manchester United recebeu muitas cartas ameaçadoras contra mim", disse Evra ao podcast do clube UTD. "As pessoas diziam: 'Estamos na prisão, somos torcedores do Liverpool. Quando sairmos, vamos matar você e sua família", acrescentou Evra, que precisou de uma escolta de guarda-costas.

"Durante dois meses, eu tinha segurança em todos os lugares que ia. Eles dormiam em frente à minha casa. Onde quer que eu fosse, os seguranças me seguiam", disse o zagueiro. "Foi um período difícil para mim, mas não tive medo. Minha família estava com medo, minha esposa e meu irmão, mas eu não".

"Eu não conseguia entender por que as pessoas me odiavam tanto. Eles não sabiam a verdade." Evra, que no mês de fevereiro seguinte ao episódio voltou a protagonizar outra controvérsia com Suárez, depois que o atacante uruguaio se recusou a lhe dar um aperto de mão, garantiu que esqueceu essa antiga rivalidade e que eles até se falaram antes da final da Liga dos Campeões de 2015, quando o francês jogava pela Juventus e o sul-americano pelo Barcelona.

Mas foi uma história muito diferente quando ocorreu o famoso episódio, que forçou Evra a controlar suas emoções depois de relatar o incidente ao árbitro da partida, Andre Marriner, que chamou os dois jogadores para falarem sobre o que aconteceu após a partida e ordenou que continuassem jogando.

"Lembro que, durante a partida, eu dizia a mim mesmo: 'Se eu der um soco nele agora, as pessoas vão me ver como o cara mau, elas vão esquecer o que ele me disse", lembra Evra. "Eu disse para mim mesmo: 'Não faça isso...' Eu não fiquei focado no jogo", concluiu.

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