Gustavo Oliveira/Londrina E.C.
Gustavo Oliveira/Londrina E.C.

'Ex-aposentado', Dagoberto recupera prazer pelo futebol em suas raízes

Atacante se destaca na Série B pelo Londrina, cidade onde começou a carreira, e vislumbra projetos empresariais

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

08 Setembro 2018 | 17h00

Cancelar a aposentadoria, jogar fora do Brasil pela primeira vez aos 34 anos, retornar ao País para atuar na cidade onde começou a carreira. Nos últimos anos o atacante Dagoberto tomou decisões na contramão do esperado para recuperar o prazer de jogar futebol e ser um dos artilheiros da Série B do Brasileiro pelo Londrina.

No fim de 2016 o atacante não esperava viver o atual momento. Dagoberto vinha de passagens frustrantes pelo Vasco e pelo Vitória. Aos 33 anos, queria parar de jogar para se dedicar a projetos empresariais em vez de se decepcionar com limitações físicas e o estresse do cotidiano no futebol. 

Por isso, ele chegou a se declarar aposentado e passou quase um ano sem atuar profissionalmente. "Eu estava consciente de que ia me aposentar do futebol. Algumas coisas não me satisfaziam mais. Tinha perdido o prazer de jogar", disse Dagoberto ao Estado. "Fisicamente eu estava sofrendo demais. Eu terminava um jogo e demorava para me recuperar. Ficava desgastado para o próximo", comentou.

No começo de 2017 o Dagoberto atacante tinha virado o Dagoberto empresário, dono de hamburguerias em Curitiba, participante de torneios de golfe e apreciador da rotina tranquila fora do futebol quando decidiu encarar um projeto inesperado: jogar nos Estados Unidos, pelo San Francisco Deltas.

Se a decisão pareceu curiosa, acabou por mudar novamente a carreira do jogador. "Ir para lá me deu uma renovada. Nos Estados Unidos não tem concentração, as pessoas te enxergam como profissional, você é tratado de forma diferente. Isso me encantou muito", explicou. Por lá, ele comemorou um título pela equipe, que fechou as portas no fim do ano passado.

Dagoberto voltou ao Brasil e recebeu um contato para jogar pelo Londrina na Série B. Uma oportunidade especial. O atacante aceitou retornar para a cidade depois de 20 anos. Em 1998, ainda adolescente, ele deixou Dois Vizinhos, no sudoeste do Paraná, para ir ao norte do Estado após ser recrutado pelo PSTC, clube especialista em formação de jogadores. De lá também saíram nomes como o lateral Rafinha, os volantes Kleberson e Fernandinho, mais o meia Jadson.

O jogador em atividade com mais títulos do Campeonato Brasileiro (cinco conquistas) garante ter recuperado em Londrina o prazer de jogar futebol. "Com 35 anos, eu me sinto como se tivesse 20 anos. Estou curtindo a cidade, os jogos, e o momento. Aproveito porque sei que amanhã ou depois posso sentir falta disso. Tem sido um momento muito saboroso na minha carreira", afirmou.

As temporadas com títulos no Brasileiro por Atlético-PR, São Paulo e Cruzeiro deram lugar a outras ambições. Como o Londrina tem chances remotas de acesso, Dagoberto aproveita a rotina mais leve e de menos cobranças para aproveitar o papel de jogador de futebol de uma nova maneira.

"A gente não tinha tranquilidade antes. Agora podemos aproveitar para levar as crianças na escola, brincar com eles, ter mais tempo livre", disse. Dagoberto vive na cidade com a mulher e os dois filhos. A terceira filha está a caminho.

A tranquilidade celebrada pelo atacante contempla também a relação com a torcida. O retorno ao futebol paranaense lhe deu um status diferente, o de poder sentir o carinho do público sem cobranças excessivas. "O torcedor te olha como fã. Ele quer ir ao estádio ver o cara que jogou no São Paulo, que era o time dele, ou no Cruzeiro, Atlético-PR, Inter. Isso para mim está sendo muito gostoso", comentou.

O contrato dele com o Londrina vai até o fim da Série B, em novembro. A decisão sobre prorrogar a carreira ou não ainda está pendente, até porque ele próprio está surpreso com o rendimento pela equipe. Uma lesão na coxa lhe afastou por três meses e causou insegurança. Mas depois de tomar atitudes inusitadas nos últimos anos, o atacante agora tem em mente um plano de que não quer abrir mão. A vida fora dos gramados não será no futebol.

Dagoberto quer se dedicar à vida de empresário. O projeto mais encaminhado é o de construir quadras de futevôlei para praticantes alugarem, assim como continuar a se dedicar ao golfe. As quatro unidades da hamburgueria em Curitiba, empreendimento iniciado em 2014, têm ido bem. "Na semana passada até ganhamos um prêmio", contou. 

 

 

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