Ex-assessor de Cabral dirige firma de segurança

Empresa de vigilância responsável pelo Maracanã é comandada por PM que atuou com o então governador

Luciana Nunes Leal, Jamil Chade, Antonio Pita, O Estado de S. Paulo

20 de junho de 2014 | 05h00

Responsável pela segurança do Maracanã, inclusive durante a Copa do Mundo, a Sunset Vigilância e Segurança Ltda. tem como diretor o tenente-coronel PM Anderson Fellipe Gonçalves. Ele atuou na equipe de segurança do então governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), e foi exonerado, em dezembro de 2013, da Subsecretaria Militar. Lá, ocupava cargo comissionado (cuja nomeação dispensa concurso público).

A empresa também fez a segurança do estádio na Copa das Confederações, há um ano, e da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), encontro católico que trouxe o papa Francisco ao Rio, em julho de 2013. Entre seus clientes citados no site da empresa estão a Odebrecht (dona da Odebrecht Properties, administradora do Complexo do Maracanã), o carnaval de rua do Rio, restaurantes, condomínios, bancos, centros de convenções e casas de shows.

Por meio de sua assessoria, Cabral disse que "cabem ao consórcio responsável, as avaliações técnicas quanto a empresas que precise contratar para prestação de serviços". Ele não detalhou as funções do militar em seu governo. A realização, no Rio, de grandes eventos, como a Copa do Mundo, foi bandeira política do governador. O tenente-coronel também consta como dirigente da Sunplus Sistema de Serviços Ltda., que faz a limpeza do Maracanã.

Reportagem publicada pelo site da ESPN, em maio passado, informa que o tenente-coronel fundou a Sunset em 2006, com capital social de R$ 120 mil. Segundo o texto, em 2013, o PM não estava mais entre os sócios. No ano passado, o capital social da empresa chegava a R$ 1,2 milhão. O site informou, porém, ter obtido cartão de visitas de Fellipe como diretor da empresa.

O Estado apurou que o governo brasileiro chegou a propor a atuação de policiais dentro dos estádios e em seus acessos, durante os jogos da Copa do Mundo. Mas a Fifa e o Comitê Organizador Local (COL) barraram a proposta, indicando que empresas privadas seriam contratadas. Os critérios de contratação dessas empresas não são públicos.

Questionados pelo Estado, a Fifa e o COL se recusaram a dizer como foi fechado o contrato com a Sunset. "Por questões contratuais, o Comitê Organizador Local não divulga informações sobre seus prestadores de serviço", informou uma nota da entidade enviada à reportagem. 

Esse não é o único caso polêmico envolvendo a segurança de estádios na Copa de 2014. No Ceará, o Sindicatos de Vigias do Estado havia alertado a Fifa de que a empresa contratada para fazer a segurança privada do Castelão, em Fortaleza, era a menos indicada ao trabalho e não daria conta da dimensão do evento. Nos primeiros jogos, ficou clara a falha, e o governo foi obrigado a assumir parte da segurança do jogo entre Brasil x México.

Defesa

Em nota, o Consórcio Maracanã Entretenimento, concessionário privado que administra o Maracanã, defendeu a contratação da Sunset.

"A Sunset foi contratada pelo Maracanã por meio de um processo de cotação de preços em que concorreu com outras tradicionais empresas de segurança privada. A empresa comprovou ter experiência anterior, atendeu aos critérios de qualidade exigidos e apresentou o melhor preço. O contrato é renovado anualmente e tem valores de mercado", afirma a Sunset no texto. E prossegue: "O Maracanã realizou, desde a sua reabertura, em julho do ano passado, 90 jogos, muitos deles com grandes públicos, tanto no Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores, sem que houvesse registro de qualquer problema quanto à segurança do torcedor no estádio. A segurança dentro do Maracanã recebeu nota 8,8 em pesquisa do Instituto Datafolha realizada ano passado entre os seus frequentadores. Este resultado positivo é fruto do trabalho conjunto entre as seguranças pública e privada, que mantêm reuniões regulares antes de cada partida e trabalham de forma coordenada e colaborativa".

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