Ex-atleticano sonha com carreira de técnico

O primeiro jogador dopado do futebol brasileiro vive em Pedro Leopoldo, interior de Minas Gerais, e sonha em ser técnico. Enquanto isso, Campos, hoje com 51 anos, ídolo do Atlético-MG no fim da década de 60 e início dos anos 70, trabalha na lavanderia de sua irmã. Foi a melhor forma que encontrou para voltar à sua cidade natal e recuperar a vida interiorana, que tanto lhe fez falta na época em que jogava."Vivo da lavanderia (Banho de Espuma). É um trabalho tranqüilo. Eu me aposentei, mas procuro ficar dentro do esporte. Sempre jogo uma bolinha com os meus amigos", conta Campos.Há oito anos, ele e a irmã são proprietários da lavanderia. Mas a vontade de se tornar técnico de futebol é o que mais estimula o ex-jogador a não se desligar do esporte. "Vou falar para você em primeira mão: farei um estágio com o Carlos Alberto Silva (técnico do América-MG) para ser técnico", revela.A decisão de parar de jogar aos 30 anos foi por influência da família. "Minha mulher reclamava muito que eu ficava longe de casa. Por isso parei. Foi uma decisão muito difícil, pela vontade de querer voltar e não dar mais."O São José foi o seu último clube. Encerrou a carreira em 1984. Antes, atuou em muitas equipes. "Mais de 22 times", diz o ex-jogador. Dentre eles, Marília, América-MG, Portuguesa e Náutico.O Atlético-MG foi o primeiro clube de Campos. Lá, jogou de 1969 a 1976. Segundo ele, marcou mais de 300 gols. "Só no Atlético eu fiz uns 100."O estilo de jogo de Campos era de um jogador guerreiro."Meu forte era a arrancada. Quando pegava a bola e ia para a frente, era um abraço. Minha força física era excelente. Isso veio porque eu sou do interior e lá trabalhava muito. Eu me defino como um Dario completamente melhorado", brinca Campos.Depois que encerrou a carreira, foi para a cidade de Pirapora, em Minas Gerais. Trabalhou algum tempo na prefeitura local, mas voltou para Pedro Leopoldo para ficar perto dos parentes - tem dois filhos (o garoto está com 23; a garota tem 25).Campos não vê a hora de se tornar treinador. Espelha-se em Oswaldo Brandão e Telê Santana, a quem considera os verdadeiros técnicos de futebol, "porque há também os que treinam, mas pensam que são técnicos..." E garante: "Vou ser técnico. E quando eu falo que vou fazer alguma coisa, faço mesmo."

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