Divulgação
Divulgação

Ex-diretor do São Paulo acusa vice do clube de pedir para organizada o agredir

Antonio Donizetti Gonçalves protocolou acusação contra José Francisco Manssur em reunião do Conselho Deliberativo do clube

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

06 de setembro de 2016 | 11h05

O ex-vice-presidente social e de esportes amadores do São Paulo, Antonio Donizetti Gonçalves, protocolou na noite de segunda-feira, na reunião do Conselho Deliberativo do clube, uma acusação formal contra o atual vice-presidente de comunicações e marketing, José Francisco Manssur. Dedé, como é conhecido, afirma que o dirigente entregou a membros da torcida Independente, a principal organizada e mais violenta do time, dados pessoais para que ele fosse encontrado e agredido. Manssur negou ter enviado a mensagem aos torcedores.

"Eu fiquei assustado quando soube disso. Minha família ficou com medo. Quando passaram meus dados, como o endereço da minha casa, para a Independente, falaram que eu era santista. Era um pedido para que me batessem", afirmou. Dedé ocupou cargo na diretoria durante a gestão anterior, de Carlos Miguel Aidar, encerrada em outubro do ano passado, e atribui a desavença a problemas políticos no Morumbi. "Quero levar o caso para a Justiça também", afirmou.

De acordo com Dedé, a mensagem de WhatsApp entregue a um dos integrantes da Independente continha a foto capturada de um livro de acesso restrito no São Paulo, que tem os endereços, dados pessoais e fotos dos conselheiros. A conta do Twitter da torcida organizada chegou a publicar na última quarta-feira uma mensagem em que contou ter recebido de Manssur os dados pessoais do dirigente. O recado foi apagado em seguida.

Segundo o advogado da torcida, José Edgard Galvão Machado, os membros da Independente registraram uma ata notorial da conversa. "A instituição não vai soltar nenhum documento informalmente. Em um momento oportuno, de maneira formal, vai divulgar para estabelecer a verdade", disse.

O advogado afirmou que defende a organizada apenas na área cível e foi diretor jurídico do São Paulo entre 2002 e 2016. Machado contou que foi o responsável por intermediar o contato entre a Independente e Dedé para amenizar a tensão.

TENSÃO

A relação de conflito entre o São Paulo e as torcidas organizadas aumentou depois que alguns membros da Independente invadiram um treino do time na Barra Funda. Jogadores como Michel Bastos, Carlinhos e Wesley foram agredidos. No mesmo incidente o clube teve bolas, garrafas de água e camisas de treino roubadas.

O atual vice de comunicações e marketing do São Paulo negou a acusação. "Antes de qualquer coisa, a acusação de que dei o endereço da casa do conselheiro é mentirosa e desde já coloco meu aparelho telefônico à disposição para ser periciado, mas exijo que o aparelho para o qual eu supostamente encaminhei essa mensagem passe pelo mesmo processo", disse Manssur, via assessoria de imprensa do clube.

De acordo com pessoas ligadas ao dirigente, Dedé o ameaçou de agressão em grupos de mensagem de WhatsApp ao pedir que "dessem um corretivo em Manssur" e também durante a reunião no Conselho. "Quero crer que o conselheiro Dedé foi influenciado a me acusar, apesar de não ter nenhum fato que corrobore o que ele está dizendo. Caso contrário, estaremos diante de mais uma mentira patrocinada pela oposição com o objetivo de ter ganhos políticos, mesmo que isso mais uma vez sacrifique a tranquilidade interna", comentou.

O dirigente explicou que tem sido alvo de ataques da torcida nas redes sociais, ao ter a foto publicada no Twitter, e afirmou que não seria coerente manter relação de proximidade com uma agremiação que o critica. "Para garantir que esse caso não fique impune, também procurarei a Justiça e juntos vamos descobrir quem são as pessoas que atribuem a mim este tipo de mentira", disse. "Lamento, mas essa conversa num grupo do qual eu nem faço parte deixa bem claro quem ameaçou quem nesse processo", completou.

ENCERRAMENTO

A Comissão de Ética do São Paulo apresentou na noite de segunda-feira o relatório final da investigação sobre o contrato de comissionamento pela assinatura do vínculo com a fornecedora de material esportivo Under Armour. O assunto gerou polêmica no ano passado pelo acordo prever o pagamento de R$ 18 milhões a Jack Banafsheha, dono da empresa Far East, sediada em Hong Kong, considerado um paraíso fiscal pelos membros da oposição na época. O contrato foi cancelado no ano passado antes do pagamento, mas a investigação interna continuou e concluiu que não houve danos ao clube, além de atestar a existência tanto da empresa, como do respectivo proprietário.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.