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Ex-dirigente do Flamengo aponta caminhos para o Corinthians se livrar das dívidas

João Henrique Areias, especialista em marketing esportivo, participou da reestruturação financeira do clube rubro-negro

João Prata, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2019 | 12h54

Além do dinheiro para contratar jogadores e financiar seu estádio, o Corinthians também precisa se estruturar para controlar suas dívidas. O especialista em marketing esportivo João Henrique Areias participou da gestão no Flamengo que equilibrou as contas do clube, em 2012. Ao Estado, ele contou o que foi feito e como o clube paulista pode usar o caso como inspiração.  

As dívidas dos clubes, basicamente, se dividem em três: a trabalhista (funcionários), fiscal (governo) e a cível (com fornecedores). "Na época, negociamos com o governo, alongamos a dívida e entramos em um desses parcelamentos que de tempos em tempos surgem. Com a dívida trabalhista fizemos um acordo junto com outros clubes do Rio. Conseguimos junto à Justiça fazer um pacote e mensalmente depositar uma porcentagem da receita em um fundo que ia pagando as dívidas. Recentemente zerou. Com os fornecedores negociamos as condições de pagamento", disse.

A iniciativa foi bem assimilada pelo mercado, pois todos os compromissos foram cumpridos à risca. Em campo, o clube sofria com os resultados e passou seis temporadas sem erguer uma taça nacional. Mas o credores perceberam a transparência e profissionalismo e isso possibilitou negociar melhor outras dívidas.

O Flamengo teve o Real Madrid como modelo ao criar uma gestão administrativa para cuidar do clube, formada por um diretor executivo e três subdiretores: econômico, que controla os recursos do clube, de negócios, para captar recursos, e o investidor dos recursos, que faz a coordenação esportiva.

Os dirigentes eleitos, sem salários, fazem parte do conselho gestor, sem a obrigação de estar o tempo todo no clube. Com o Corinthians hoje, as principais decisões estão centralizadas no presidente Andrés Sanchez. O sucesso do clube rubro-negro também mostra um caminho além do projeto de clube-empresa, a mais nova ideia que promete a salvação das equipes para suas dívidas.

Criar uma gestão administrativa facilita porque o pensamento do clube passa a ser a médio e longo prazo. O presidente eleito no comando é pressionado a dar resultado a curto prazo, dá importância ao time, fica preocupado em trazer reforços, porque precisa ganhar títulos.

"Não digo que o Corinthians deve buscar a mesma solução que o Flamengo. Hoje os três clubes mais valiosos do planeta são Real Madrid, Manchester United e Barcelona. Os dois espanhóis são associações como os clubes daqui. O Manchester é uma empresa cotada em bolsa. Os dois modelos são bons. Vai depender de quem vai gerir", finalizou Areias.  

 

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