Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Ex-funcionários de hotel afirmam que Guerrero não foi responsável por caso de doping

Jogador sempre argumentou ter tomado um chá contaminado, versão que o Swissotel sempre negou; funcionários ficaram em silêncio por medo de represálias

EFE, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2019 | 01h34

LIMA - Depoimentos de ex-funcionários de um luxuoso hotel de Lima reforçaram  a versão de que o atacante peruano Paolo Guerrero não foi responsável pelo consumo de um chá de coca contaminado que acarretou 14 meses de suspensão.

O programa "Domingo al dia", da emissora local "América Televisión", entrevistou cinco ex-funcionários do Swissotel Lima que disseram no domingo, 5, ter ocorrido irregularidades durante o atendimento à seleção peruana que se hospedou no hotel em outubro de 2017.

Anthony Obando, garçom que atendeu à seleção, afirmou que a contaminação aconteceu porque Guerrero "estava com febre e pediu chá com limão", que foi preparado em jarras nas quais também eram servidos os chás de coca.

Essa versão foi corroborada pelo ex-funcionário George Zúñiga. Ele confessou que preparou o chá para o jogador em um recipiente no qual antes havia sido servido um chá de coca.

O também ex-garçom Erick Paz apoiou a versão da defesa de Guerrero de que houve uma "contaminação cruzada". Segundo ele, Obando contou que isso aconteceu porque pediu a Zúñiga "um chá que não tinha passado pelo procedimento adequado".

Outro ex-trabalhador do hotel, identificado como Luis Escate, acrescentou que no cardápio havia o chá de coca, enquanto Jordy Alemany, que foi auxiliar de alimentos e bebidas, considerou que o incidente foi de responsabilidade exclusiva do hotel.

Os entrevistados afirmaram que guardaram silêncio durante todo este tempo por medo de represálias, já que queriam manter o emprego e não podiam perguntar sobre o assunto.

"Por uma informação como esta, a minha vida poderia correr perigo. Se algo acontecer comigo, é culpa do Swissotel", declarou Alemany.

Após saber dessas declarações, o Ministério Público do Peru anunciou no Twitter que a Primeira Promotoria Provincial Penal do distrito de San Isidro "analisará imediatamente abrir nova investigação em torno desses fatos".

Atacante e hotel se pronunciam

Guerrero disse estar "consternado" com o depoimento dos ex-funcionários. "Estou sem palavras. Isso surpreendeu todo mundo. Sempre, desde o início, atuei com a verdade, e hoje a verdade prevaleceu", declarou ao programa de notícia "Cuarto Poder". "O Swissotel impediu que a verdade viesse à tona e veio mentindo e ameaçando os funcionários." 

Já o Swissotel emitiu um comunicado negando as acusações e disse que os depoimentos dos ex-funcionários à "América Televisión" têm o objetivo de danificar a reputação da empresa. O hotel também afirmou que tomará ações legais contra aqueles que vêm difamando e ameaçando a empresa, seus colaboradores e familiares. 

Além disso, o Swissotel reiterou que sempre ofereceu informações verazes, contribuiu a legislação e tem confiança na Justiça peruana. 

O caso

Guerrero foi submetido em outubro de 2017 a um exame antidoping que deu positivo por benzoilecgonina, conhecido por ser o principal metabólito da cocaína.

Inicialmente, foi suspenso por um ano pela Fifa, mas conseguiu uma redução da pena para seis meses após recurso do jogador, que argumentou ter tomado um chá contaminado, versão que o Swissotel sempre negou.

O atacante, à época no Flamengo, recorreu à Corte Arbitral do Esporte (CAS) para buscar a total absolvição, mas recebeu 14 meses de suspensão. Com um recurso extraordinário apresentado no Tribunal Federal da Suíça, foi autorizado a disputar a Copa do Mundo na Rússia, em 2018, pela seleção peruana.

A sanção terminou no dia 5 de abril e, desde então, Paolo Guerrero ficou habilitado a defender a seleção do Peru e o Internacional. 

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