Riccardo Facchini/Jornal Contexto
Riccardo Facchini/Jornal Contexto

Ex-goleiro da seleção brasileira de futsal, Lavoisier encerra a carreira

Goleiro atuou 150 vezes em dez anos de seleção e ficou conhecido pelo arrojo de suas defesas

Marcio Dolzan especial para O Estado de S.Paulo, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2012 | 19h29

SÃO PAULO - Um dos maiores goleiros do futsal brasileiro encerra a carreira neste sábado. Depois de vestir a camisa da seleção brasileira em 150 jogos entre 1995 e 2004 e disputar cerca de duas mil partidas ao longo da carreira, Lavoisier Freire Martins, 38 anos, se despede das quadras na decisão do Campeonato Gaúcho, no duelo entre seu time, o Carlos Barbosa, e o Atlântico, da cidade de Erechim. Sentindo dores nas costas, porém, deve participar de sua última partida como profissional no banco.

Nascido em Ocara, no interior do Ceará, o goleiro de apenas 1,66m fez história no futsal brasileiro graças à sua ousadia entre as traves. "Era um dos poucos que enfrentava o jogador sem virar a cara, e os reflexos eram muito grandes", define o ex-jogador Fininho, colega do goleiro em três clubes e na seleção brasileira. "O Lavoisier está entre os 10 melhores goleiros do mundo", aponta.

Para o ex-pivô Lenísio, exímio finalizador que deixou as quadras este ano, os duelos com o goleiro foram memoráveis. "Todos os jogos contra ele foram bem difíceis. O Lavoisier foi decisivo em várias finais", afirma. Os dois também atuaram juntos pela seleção.

SELEÇÃO

Lavoisier começou a carreira aos 14 anos, em 1988, atuando na equipe infantil do Sumov, do Ceará. Dois anos depois, ascendeu ao time principal, como terceiro goleiro. Aos poucos, foi se destacando e virou titular. Em 1995, após o vice-campeonato da Taça Brasil, chegou à seleção. "Foi minha maior alegria, porque foi inesperado. Eu sofria muitas críticas pelo meu tamanho, e tinha ouvido muita entrevista do Takão (técnico da seleção à época) falando que eu não tinha condições de jogar porque eu era muito baixinho", diz o goleiro.

A estreia com a amarelinha foi na Copa América daquele ano, em jogo contra o Uruguai, no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. A seleção vencia por 3 a 2 quando Lavoisier foi chamado pelo técnico para tentar defender um tiro-livre. O goleiro defendeu dois e uma penalidade máxima. Virou titular no jogo seguinte.

A boa estreia renderia ao goleiro outras 149 aparições na seleção. Foi suplente no grupo campeão do mundo de 1996 e titular na campanha do vice, em 2000. Na Copa do Mundo de 2004, lesionou-se no último treino antes da estreia e perdeu o lugar para Franklin. Para Lavoisier, foram justamente as lesões sua maior tristeza no esporte. "Foram muitas, e em tudo que é lugar. Quebrei o nariz duas vezes, ombro, pé. Só me salvei o joelho", relata.

CARREIRA

Da estreia no Sumov ao último jogo pelo Carlos Barbosa, Lavoisier viu o futsal mudar. "Naquela época (1988) a gente não tinha nem plano tático, se treinava muito chute a gol, tinha poucas jogadas, e hoje em dia se tem uma variação muito grande", aponta.

O goleiro, contudo, lamenta que o progresso não tenha se refletido nos bastidores. "Progredimos dentro de quadra, mas fora dela, apesar de termos ganho vários mundiais e termos passado por várias situações, o futsal deveria estar muito mais estruturado."

O fim da carreira não assusta. Sócio de uma empresa de brindes e de uma distribuidora de produtos licenciados com o também jogador Carlinhos, atualmente no futsal russo, Lavoisier se diz preparado para a vida fora das quadras. Ele pretende seguir acompanhando o esporte, mas das arquibancadas ou de seu escritório. "Treinador, preparador de goleiros, essas coisas, tô fora. Foi muito tempo dentro de quadra, e agora, depois de 23 anos, quero ter sábado, domingo, aniversário das minhas filhas, o meu, para passar em casa."

Apesar de ser cearense e ter forte vínculo com o Estado natal, Lavoisier escolheu a pequena Carlos Barbosa, cidade de 25 mil habitantes na serra gaúcha, para se estabelecer com a mulher, Vládia, e as filhas, Letícia e Larissa. Foi lá que o goleiro alcançou seus principais títulos e que passou a maior parte da carreira - em duas passagens pelo clube que leva o nome da cidade, atuou 710 vezes em nove temporadas e conquistou, dentre outros títulos, dois mundiais interclubes, três Libertadores da América e três ligas nacionais - e, se vencer a decisão deste sábado, terminará a carreira com o quinto título gaúcho pela equipe serrana.

Nome: Lavoisier Freire Martins

Idade: 38 anos

Jogos pela seleção: 150

Times onde atuou: Sumov (CE), Tio Sam (RJ), Vasco da Gama (RJ), Intelli/Orlândia (SP), Ulbra (RS) e Carlos Barbosa (RS)

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