Achim Scheidemann/EFE
Achim Scheidemann/EFE

Ex-jogador que se declarou gay espera que revelação aumente tolerância

Após a confissão, Thomas Hitzlsperger provoca debate nacional sobre tolerância

Erik Kirschbaum, Reuters

10 de janeiro de 2014 | 13h09

BERLIM - Thomas Hitzlsperger, o primeiro jogador famoso da Alemanha a assumir que é gay, espera que um dia seja normal para atletas falarem sobre os seus namorados com os companheiros de time. O ex-jogador de 31 anos, que disputou 52 partidas pela seleção alemã e jogou pelo time alemão Stuttgart, pelos ingleses Aston Villa, Everton e West Ham e pelo italiana Lazio, provocou um debate nacional sobre tolerância.

Mesmo assim, Hitzlsperger, que deixou o futebol em setembro por causa de uma contusão, não tem certeza se aconselharia jogadores na ativa a revelarem que são gays. "Cada um tem que decidir por si mesmo", afirmou ele ao jornal Bild nesta sexta-feira.

"Mas seria ótimo se fosse normal um jogador de futebol ser capaz de falar sobre o seu namorado no vestiário, e não somente sobre a nova namorada, e que isso não fosse considerado mais incomum". Apesar do alcance mundial do futebol, são poucos no esporte que assumiram ser gays, especialmente durante a carreira, já que o medo de reações negativas de treinadores, colegas e torcedores os forçam a manter segredo sobre a sexualidade.

O caso mais famoso do Reino Unido foi o do atacante do Norwich City Justin Fashanu, que assumiu a sua condição para um tabloide em 1990 e cometeu suicídio oito anos depois. Robbie Rogers, que abandonou o futebol, assumiu ser gay depois de liberado pelo Leeds United no ano passado.

O ex-capitão da seleção da Alemanha Lothar Matthaeus já disse que um homem gay não pode jogar futebol. O atual capitão da seleção, Philipp Lahm, aconselhou os jogadores gays a não assumirem a condição porque a repercussão poderia ser muito ruim. Hitzlsperger, porém, foi muito elogiado na imprensa alemã e por líderes empresariais e políticos pela sua coragem.

Muitos alemães se perguntavam por que um jogador de futebol nunca assumiu ser gay num país com alto grau de tolerância. Klaus Wowereit, prefeito de Berlim, foi em 2001 o primeiro político importante a assumir que era gay, atitude que levou outros políticos a fazer o mesmo.

"Houve 5.566 jogadores no Campeonato Alemão nos últimos 50 anos e nenhum deles era gay até agora. A verdade é que dezenas, se não centenas, de jogadores gays têm medo de se revelar", disse o jornal Tagesspiegel, de Berlim. Hitzlsperger se disse feliz por não ter recebido nenhuma reação negativa, mas ao mesmo tempo afirmou que apenas dois jogadores fizeram contato com ele desde a revelação.

Numa mensagem de vídeo divulgada nesta quarta-feira, Hitzlsperger disse que pretende falar contra a discriminação. "Não importa para os meus familiares e amigos que eu esteja falando abertamente sobre isso", declarou. "É somente importante para os homofóbicos. Eles devem ficar alertas pois agora, comigo, eles têm um inimigo a mais."

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