Fernando Soutello/Agif
Fernando Soutello/Agif

Ex-jogadores do Palmeiras que hoje estão no Flamengo podem rebaixar o time

Zinho é o dirigente de futebol do time da Gávea e Vagner Love, o atacante: eles têm carinho especial pelo clube paulista

GONÇALO JUNIOR, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2012 | 11h49

SÃO PAULO - Vagner Love e Zinho ocupam um lugar mágico no palco das glórias palmeirenses. O primeiro foi uma maiores revelações do clube nos últimos anos; o segundo ganhou quase tudo o que podia pelo clube na década de ouro (1990). Neste domingo, os dois podem despir o manto de heróis e vestir o de carrascos, decretando o rebaixamento do Palmeiras para a Série B - uma derrota derruba o time paulista independentemente dos outros jogos. Mas nenhum dos dois está à vontade com o novo papel.

"Não posso negar que é um momento triste ver o time nessa situação. Foi lá que eu apareci para o futebol e tenho ótimas lembranças. Mas sou profissional e tenho de defender as cores do Flamengo. O futebol é assim", diz Vagner Love.

Não foi à toa que o atacante usou o termo "apareci". Foi em 2003. Depois de ter sido vice-campeão da Copa São Paulo de Juniores, ele subiu para o profissional, mas teve de enfrentar o horror da Segunda Divisão na equipe de Jair Picerni. Conseguiu transformar o limão azedo da Série B em uma refrescante limonada. Foi artilheiro da competição, com 19 gols, e peça-chave para o retorno da equipe à elite do futebol brasileiro.

Cinco anos depois, após altos e baixos no CSKA de Moscou, o atacante voltou por empréstimo, mas não foi a mesma coisa. Pelas palavras do jogador, o amor permanece intacto.

ÚLTIMO SUSPIRO

A culpa parece mais pesada para Zinho, hoje diretor de futebol do Flamengo. "Seu pudesse não estaria envolvido neste jogo. Tenho identificação, carinho e gratidão por esse clube. Palmeiras e Flamengo me projetaram para o futebol", diz o dirigente em entrevista à Rádio Jovem Pan.

Zinho foi fundamental em um momento da história que está um passo atrás da trajetória de Love. Foi de seus pés que o tabu de títulos que perdurava 16 anos começou a ruir, ao marcar o primeiro gol da goleada de 4 a 0 sobre o Corinthians na final do Campeonato Paulista, em 1993.

Zinho ganhou os mais importantes títulos do clube, como o bi do Campeonato Brasileiro (1993/1994) e a Libertadores, em 1999. "Esse jogo pode representar o último suspiro do Palmeiras, mas a ética e o profissionalismo falam mais alto. Sou profissional e estou no Flamengo."

O lateral Leonardo Moura também entra na lista, mas com menos destaque. Trocou o Vasco redondo de Romário e Euller pelo Palmeiras rebaixado em 2002. E, na época, confessou que se arrependeu.

VELHOS CONHECIDOS

Personagens à parte, Palmeiras e Flamengo são velhos conhecidos das tragédias no Campeonato Brasileiro. Entre 2001 e 2005, os dois clubes não se enfrentaram com ao menos um deles muito ameaçado de rebaixamento (a exceção foi 2003, ano em que o time paulista jogou a Série B). Em todas as quatro ocasiões, o Flamengo deixou o confronto comemorando: em 2001 e 2002, garantiu a salvação após enfrentar o Palmeiras. Em 2004 e 2005, foi a mesma história, sem tanto drama.

"O possível rebaixamento deles não é culpa nossa. Temos de ganhar", diz o lateral Ramon, trocando o sentimentalismo pela objetividade de quem não tem nada a ver com o peixe.

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