Sergei Karpukhin/Reuters
Sergei Karpukhin/Reuters

Ex-jogadores organizam um conselho de 'notáveis' para ajudar a CBF

Ronaldo, Roberto Carlos e Cafu estão entre os nomes do projeto que será apresentado ao futuro presidente da entidade

Jamil Chade, enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

13 Julho 2018 | 05h00

Ex-craques da seleção brasileira querem criar uma espécie de conselho para representar a CBF e fortalecer o papel da entidade nos debates dentro da própria Fifa.  Com exclusividade ao Estado, o ex-jogador Roberto Carlos, campeão do mundo em 2002, revelou o plano e indicou que o conselho de “notáveis” poderia ser formado com Ronaldo, Cafu e Bebeto, além do próprio ex-lateral.

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Outra opção ainda seria a de estender o convite e tentar incluir Romário, uma das vozes mais críticas contra a gestão do futebol brasileiro, e atualmente senador. “Vamos fazer essa proposta ao presidente da CBF Rogério Caboclo – que assume somente em abril de 2019”, afirmou Roberto Carlos. “Nossa ideia é de que isso seja criado antes do fim do ano”. 

"Não seria algo para intervir nem no trabalho do presidente da CBF nem para ter ingerência no trabalho do treinador da seleção”, esclareceu. “O trabalho seria o de fazer meio de campo, representar a CBF e falar por ela.” 

Em sua avaliação, isso poderia ter um impacto positivo até mesmo dentro da Fifa, onde esses jogadores já atuam dentro de um programa de “lendas do futebol” criado pelo presidente da entidade, Gianni Infantino. “Hoje, de certa forma, somos os representantes do Brasil na Fifa”, diz Roberto Carlos. 

 

Oficialmente, o representante da CBF na Fifa é Fernando Sarney, vice-presidente da CBF. Mas os ex-jogadores acreditam que podem ajudar. 

O ex-lateral deu o exemplo de seu papel também como conselheiro no Real Madrid, auxiliando o clube até mesmo a explicar à imprensa a saída de Cristiano Ronaldo. Outro time que conta com uma estrutura parecida é o Manchester United. “Isso tem funcionado e acho que seria positivo para a CBF e para a seleção”, disse o penta. 

Bebeto também confirmou ao Estado a iniciativa, garantindo que estará pronto para ajudar se as portas forem abertas. “Vamos apresentar a ideia e esperamos que possamos contribuir”, comentou. Segundo ele, a CBF precisa manter seu projeto com o técnico Tite e fortalecer sua gestão. 

QUESTIONAMENTOS

Caboclo assume a CBF somente em 2019. Mas sua eleição é ainda alvo de questionamentos na Justiça. Até lá, quem está oficialmente no comando é o coronel Antonio Nunes. Nas últimas semanas, a direção da entidade brasileira foi questionadas diante da suposta fragilidade em pressionar a Fifa e levar suas questões adiante, principalmente durante a Copa do Mundo, com temas como as faltas sobre Neymar e mesmo a utilização do VAR em lances polêmicos. 

Um conselho formado por esses jogadores, portanto, poderia, em teoria, facilitar o trânsito de informação na Fifa. Nem todos na CBF concordam que ela tenha perdido influência dentro da entidade máxima do futebol. O que perdeu, dizem, foi a capacidade de pressionar árbitros e membros na escolha das chaves, por exemplo. “Não há mais espaço para isso”, diz fonte da Fifa.

 

 

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