Ex-jogadores pedem a volta do drible

A ousadia e a beleza de dribles, tão comuns em épocas passadas, foram trocadas hoje pela falta de criatividade nas sucessivas derrotas da seleção brasileira, o que tem provocado a ira de vários craques. Perplexos com a atual letargia da equipe, antigos craques chegaram a decretar a falência do futebol brasileiro. "Depois que os treinadores começaram a dizer que não existe mais a função de ponta, o futebol brasileiro acabou", afirmou o vice-campeão mundial em 1950, Jair Rosa Pinto, o Jajá Barra Mansa. Para Jajá, que brilhou entre os anos de 1940 e 60, com seus dribles desconcertantes nos adversários, não é possível que "um lateral seja o responsável pelas criação das jogadas para os atacantes. Falta disposição". Outro que criticou a falta de ousadia na seleção foi o bicampeão mundial, em 1958 e 62, Edwaldo Isídio Neto, o Vavá. Revoltado e pessimista, ele classificou de "atitude infantil" a ausência de jogadores que avancem rumo aos marcadores. Segundo Vavá, além de estarem faltando com respeito ao passado do futebol brasileiro, falta também qualidade aos jogadores. "Uma andorinha só não faz nada", disse referindo-se a boa atuação do meia Juninho Paulista. "Isso só vai piorar. Vai ter uma hora em que todos perderão a confiança em si e, até mesmo, no treinador." A falta de qualidade individual dos jogadores brasileiros foi apontada pelo tricampeão mundial Jairzinho, o furacão da Copa de 70, como a responsável pela crise de "improviso" da seleção. O ex-jogador acredita que a intranqüilidade dos atletas também está prejudicando a criação de jogadas ofensivas. Além de criticar a "apatia" do meia Rivaldo, Jairzinho contestou o modo de atuar do atacante Romário. "Romário, com seu estilo de jogar fixo na área, tem complicado bastante. Atualmente, os jogadores não podem jogar só para receber." Um dos últimos craques, a explorar com maestria o drible, Zico lembrou que este tipo de jogada sempre foi o trunfo do futebol brasileiro. O ex-atacante do Flamengo disse que os atletas estão transferindo uns para os outros a responsabilidade de decidir a partida. "Eles precisam ter iniciativa. Buscar uma jogada para cavar a falta perto da área, o pênalti e o gol", considerou.

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