Agustin Marcarian / Reuters
Agustin Marcarian / Reuters

Ex-namorada cubana de Maradona denuncia maus-tratos e abusos que sofreu do craque

Mavys Álvarez Rego era menor de idade quando teve uma relação com o jogador que morreu há quase um ano

AFP, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2021 | 23h23

Mavys Álvarez Rego, uma cubana menor de idade quando teve uma relação afetiva com Diego Maradona, afirmou nesta segunda-feira que sofre ao ver a idolatria provocada na Argentina pelo homem que ela acusa de maus-tratos, abusos e de tê-la introduzido ao consumo de drogas.

"É difícil estar em seu país (de Maradona), ver que ele está em toda parte, que é um ídolo e, ao mesmo tempo, me lembro dele como pessoa parece ruim", disse Álvarez, em entrevista coletiva à imprensa internacional em um hotel em Buenos Aires, a três dias do primeiro aniversário da morte do eterno camisa '10' argentino.

Álvarez, 37, que mora em Miami desde 2014 e é mãe de dois filhos, prestou depoimento na quinta-feira passada perante a justiça argentina, que investiga se ela foi vítima de tráfico de pessoas, quando na adolescência viajou com Maradona a Buenos Aires para participar da homenagem ao astro no estádio La Bombonera em 2001.

Durante sua estada de dois meses em Buenos Aires, Álvarez foi submetida a uma cirurgia plástica nos seios que lhe provocou um pós-operatório doloroso. Ela teria sido mantida trancada e sem os devidos cuidados, segundo seu relato.

'Roubaram minha inocência'

"Deixei de ser menina, tive que queimar etapas da vida. Você passa de menina a mulher rapidamente. Toda aquela inocência que eu tinha foi roubada de mim. Eu tinha 16 anos e já bebia, me drogava", revelou.

A relação entre eles durou "entre 4 e 5 anos" durante grande parte da estada de Maradona em Cuba, entre 2000 e 2005, para se reabilitar de seus vícios depois de estar à beira da morte.

Ao conhecê-lo "fiquei deslumbrada, ele me conquistou com flores (...). Mas depois de dois meses tudo começou a mudar. Eu o amava, mas também o odiava, cheguei a pensar em suicídio", afirmou. Maradona lhe ofereceu cocaína com insistência até que ela concordou em usar, se tornando viciada na droga.

Álvarez acusou Maradona de tê-la estuprado em uma ocasião. Ela também disse ter sido vítima de episódios de violência, como uma vez em que ela atendeu o celular enquanto o ex-jogador dormia. “Ele ficou muito bravo. Pegou o celular, jogou contra a parede, me deu um tapa e me empurrou contra a cama. Houve muitos momentos assim”, disse.

À espera da Justiça 

Álvarez decidiu contar sua verdade depois que "deturpações" sobre sua vida foram publicadas para o lançamento de uma série biográfica sobre Maradona.

"Acho que já fiz minha parte, agora está nas mãos da Justiça. Falei o que aconteceu comigo para evitar que aconteça com outras e para que as outras meninas se sintam com força e coragem para falar", afirmou.

A Fundação para a Paz e Mudança Climática, que a representa em Buenos Aires, pediu à Justiça que investigue os integrantes do círculo próximo de Maradona na época por suposto tráfico de pessoas, privação ilegítima de liberdade, iniciação ao uso de drogas e lesões graves. Os advogados dos réus rejeitaram as acusações.

Guillermo Cóppola, ex-representante de Maradona, afirmou que sente por Álvarez "se ela realmente viveu a provação que afirma ter vivido", mas negou envolvimento em um crime e denunciou por calúnia e difamação o diretor da Fundação que o acusa.

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