Grasshopper Club Zurique
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Ex-palmeirense Nathan troca de clube e mira a Liga dos Campeões

Zagueiro se transferiu do Servette para o Grasshopper e tem esperança de se classificar para o maior torneio da Europa

Luis Filipe Santos, O Estado de S.Paulo

14 Agosto 2018 | 05h00

A última Liga dos Campeões teve a participação de 72 jogadores brasileiros. Muitos deles famosos, como Neymar, Marcelo e Gabriel Jesus. Vários outros, porém, passaram despercebidos por atuar em times menores. Ainda assim, fizeram parte da elite do futebol. E a esse contingente que o ex-palmeirense Nathan espera se juntar a algum tempo. Deu o primeiro passo nessa direção ao trocar de time na Suíça, do Servette para o Grasshopper. Começou bem. No último sábado, o zagueiro estreou com gol pelo time de Zurique, em partida que acabou empatada por 2 a 2.

Na temporada 2017-18, Nathan disputou a segunda divisão suíça com o Servette. Teve boas atuações e entrou para a seleção do campeonato. Chamou a atenção do Grasshopper e assinou empréstimo de duas temporadas. A nova equipe do zagueiro é tradicional no país, a que mais conquistou títulos nacionais, mas não foi bem nas últimas temporadas. “Agora estou mais perto de alcançar um objetivo, que é jogar a Liga dos Campeões. O campeonato dá duas vagas para a Liga dos Campeões e duas para a Liga Europa, então pode ser que eu enfrente os gigantes da Europa em breve.’’

Segundo Nathan, a adaptação ao país europeu não foi complicada. “Me surpreendi em como foi rápido para me adaptar aqui. O estilo de jogo, o frio, a língua acabaram sendo problemas menores”, relata o zagueiro. Essa é uma das razões que ele cita para não querer voltar ao Brasil neste momento. “Acredito muito em fazer valer as oportunidades que Deus me deu, aproveitar o lugar em que ele me colocou. Estou bem aqui, e quero continuar aqui por algum tempo”, afirma.

Esse pensamento foi um dos que segurou o defensor quando ele subiu para a equipe profissional do Palmeiras. Na época, o time estava no ano que completava o centenário, mas brigava contra o rebaixamento. Mesmo tendo subido na “fogueira”, Nathan se diz feliz pelo que viveu. “Foi um momento de muito aprendizado, com muitas dificuldades por causa do momento, mas foi bom como profissional. Procurava sempre observar e aprender com os caras mais velhos”, conta.

Um destes era o zagueiro Lúcio. “O cara é campeão mundial, um dos meus ídolos e do nada eu estava jogando ao lado dele. Me dizia sempre ‘só não faz besteira’, ou seja, para não inventar, principalmente em momento difícil. Também aprendi muito com o Fernando Prass e com o Zé Roberto”, diz. Segundo o atleta, no vestiário o grupo tinha algumas desavenças, mas nada “fora do comum” para um time na situação em que estava.

Depois que o Palmeiras se salvou do rebaixamento em 2014, o clube passou a contratar muito e Nathan teve pouco espaço nos anos seguintes. “O time tem dinheiro e quer resultados, por isso acho um pouco mais difícil subir da base do que em outros clubes, nem sempre olham lá. Mas tem revelado bem e alguns jogadores receberam chances recentemente, como o Victor Luiz, o Thiago Martins, até o Papagaio”, comenta, sobre o uso da base pelo time alviverde.

Em 2016, foi emprestado para o Criciúma. Em 2017, foi para a Chapecoense e fez parte do time que tentava se reconstruir após o acidente aéreo que matou 71 pessoas em novembro do ano anterior. “Acho que a característica principal daquele grupo era ser forte psicologicamente, para aguentar a situação. Durante a partida, procurávamos focar sempre, mas às vezes os torcedores cantavam o ‘vamo, vamo Chape’, faziam a homenagem no minuto 71, e aí não tinha como não arrepiar”, relata, sobre o período no clube.

Ao assinar com o Grasshopper, Nathan também renovou contrato com o Palmeiras. O acordo com o time alviverde vai até dezembro de 2021.

VOLTA AO BRASIL

Apesar de não querer voltar ao Brasil no momento, Nathan admite que pode retornar no futuro. E garante que será um jogador melhor. “Evoluí no último ano, realizei alguns treinos específicos, como de mudança de direção rápida, e melhorei meu trabalho de corpo, tanto que marquei alguns gols nos últimos anos. Estou melhor hoje do que quando saí do Brasil”, diz o zagueiro.

 

 

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