Kai Pfaffenbach / Reuters
Kai Pfaffenbach / Reuters

Ex-presidente da Federação Alemã renuncia a cargos na Uefa e Fifa após escândalo

Reinhard Grindel teria recebido 78 mil euros (cerca de R$ 339 mil) e um relógio de luxo de empresário ucraniano

Redação, Estadão Conteúdo

10 de abril de 2019 | 13h10

Oito dias depois de anunciar a sua saída da presidência da Federação Alemã de Futebol (DFB, na sigla em alemão), na qual a sua permanência ficou insustentável após ter seu nome envolvido em um escândalo, Reinhard Grindel também confirmou nesta quarta-feira a sua renúncia aos cargos que ele vinha ocupando na Uefa e na Fifa.

Na semana passada, o dirigente deixou de ser o líder da entidade alemã após ser acusado de receber receitas suspeitas de uma afiliada da DFB em benefício próprio. E, ao oficializar o pedido de demissão, ele ainda fez um pedido público de desculpas por ter aceitado um relógio de luxo oferecido pelo empresário Hryhoriy Surkis, ex-presidente da Federação Ucraniana de Futebol e um dos ex-vice-presidentes da Uefa.

Para completar, a revista alemã Der Spiegel revelou que Grindel chegou a receber 78 mil euros (cerca de R$ 339 mil, pela cotação atual) antes de começar a presidir a DFB, então na qualidade de membro de um conselho próximo da federação, em uma renda extra supostamente ocultada dentro do órgão alemão.

E nesta quarta-feira, Grindel divulgou um comunicado no qual confirmou ter enviado uma carta ao presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, para explicar os motivos de seu pedido de demissão dos cargos de vice-presidente da entidade europeia e também de membro do Conselho da Fifa. Ele ocupava estes postos desde abril de 2017.

Neste comunicado, o ex-líder do futebol alemão negou novamente que tenha cometido atos de corrupção dentro da DFB, embora reconheça que foi um erro aceitar o relógio de luxo que ganhou de presente, que ele disse que fez "por educação".

"A divulgação pública perdeu todas as medidas, e o anúncio tardio de um presente provocou especulações de que violei regras de boa governança", escreveu Grindel, ressaltando depois que não agiu com conflito de interesses e que "todas as decisões que tomou" não foram influenciadas por este agrado de Hryhoriy Surkis a ele.

O ex-dirigente também reconheceu que foi de uma "inocência inexplicável" o fato ter aceitado o relógio como presente sem denunciar a atitude do empresário ucraniano. E ressaltou que renunciou ao seu cargo na Uefa para "proteger a reputação" da entidade e que saiu do seu posto no órgão máximo do futebol porque não quer "sobrecarregar o caminho da Fifa em direção a mais transparência e boa governança".

Na semana passada, ao justificar a sua saída da presidência da DFB, Grindel chegou a dizer: "Todos que me conhecem sabem que não sou ganancioso". "O preço do relógio era de 6 mil euros (aproximadamente R$ 26 mil). Não sabia a marca e o seu valor quando ganhei. O senhor Surkis não tinha a intenção de usar isso com a DFB. Ele nunca me pediu qualquer apoio. Foi um presente particular sem qualquer relação com a federação ucraniana ou empresas comerciais. Fui apenas educado em aceitar. Não posso explicar por que não agi logo para esclarecer isso", explicou, naquela ocasião.

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