Bruno Teixeira/ Agência Corinthians
Bruno Teixeira/ Agência Corinthians

Ex-presidente do Corinthians diz que arena será paga em 30 anos e acerto do Allianz foi melhor

"Hoje, olhando para trás, a gente vê que a forma que o Palmeiras fez foi melhor do que a nossa', disse Roberto de Andrade

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2020 | 14h14

Roberto de Andrade, ex-presidente do Corinthians entre 2015 e 2018, revelou que o clube pode levar até 30 anos para concluir o pagamento do financiamento de sua Arena. Não obstante, Andrade comparou a estratégia de construção do estádio do Palmeiras e concluiu que o modelo de negócio adotado pelo rival com o Allianz Parque é mais vantajoso.

"Não dá para falar que (a Arena Corinthians) é um erro, porque é o sonho de qualquer clube ter uma arena, certo? Pode ser que o erro... Eu não gosto de falar isso, porque não participei da forma que foi desenhada a parte financeira... Eu não participei. Lembro muito bem que todo mundo criticava a forma que o Palmeiras negociou a arena dele por 30 anos com a (construtora) W. Torre. E o Palmeiras continua com a bilheteria", analisou.

Roberto continuouna comparação com os estádios. "O Palmeiras paga um aluguel para usar o campo para a W. Torre, mas a receita do estádio é 100% do Palmeiras. Se não estiver errado, já deve ter passado uns seis, sete anos dessa conta, já não são mais 30, são 23 (anos). E nós fizemos de uma forma diferente", explicou Andrade, que também ocupou o cargo de diretor de futebol, em 2012, ano da conquista inédita da Libertadores da América e do Mundial de Clubes.

Em seguida, o ex-dirigente corintiano afirmou: "Hoje, olhando para trás, a gente vê que a forma que o Palmeiras fez foi melhor do que a nossa. Porque a gente não consegue viabilizar. Vamos pagar o estádio? Vamos pagar o estádio. Talvez não no mesmo prazo, talvez até igual o Palmeiras, em 30 anos ou perto disso".

Em 2017, ainda quando era presidente do clube, Roberto de Andrade concedeu entrevista ao Estadão e admitiu que houve um erro do clube em relação ao momento ideal para tentar vender o naming rights da Arena Corinthians. 

Em comparação, a arena do Palmeiras custou cerca de R$ 630 milhões para a construtora W. Torre, que não reparte as receitas oriundas de bilheteria com jogos, ou seja, 100% das arrecadações permanecem com o clube da Barra Funda. O Palmeiras, contudo, abriu mão da gestão do local por 30 anos e a empresa lucra com a realização de eventos e a venda de naming rights do estádio, por exemplo.

Já a Arena Corinthians custou cerca de R$ 1 bilhão, somados os juros acumulados com as parcelas. A Caixa Econômica Federal pede R$ 536 milhões, enquanto o clube tenta reduzir o restante do pagamento para R$ 487 milhões e uma extensão do prazo para a quitação da dívida. "Fizemos (o financiamento) em 15 anos. Começamos a pagar em 2015, já se passaram cinco anos. Quer dizer: faltam dez. Nesses dez, estamos aguardando uma conversa com a Caixa para a gente renegociar o valor mensal e fatalmente a gente vai esticar o prazo. Não sei se para 15 (anos) de novo, se para 20... Se não for 30, vai ficar muito perto dos 30. Existiam maneiras melhores, enfim... Agora não adianta a gente se queixar, já foi", ponderou o Andrade. 

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