Ex-presidente do Flamengo é preso no Rio

Dez pessoas foram presas nesta terça-feira no Rio de Janeiro, acusadas de integrar uma quadrilha de fraudadores do INSS e da Receita Federal, entre elas, o ex-presidente do Flamengo, Edmundo Santos Silva. O dirigente é acusado de sonegação fiscal e de intermediar contatos entre auditores fiscais e empresários. Segundo a polícia, os fraudadores prometiam apagar as dívidas de empresas em troca de comissões de 10% e 20%, conforme o caso. O prejuízo aos cofres públicos pode chegar a R$ 1 bilhão, segundo projeções da Receita. Edmundo Santos Silva - que foi levado para a Superintendência da Polícia Federal no Rio - foi preso em seu escritório na Avenida Rio Branco, no centro financeiro da cidade, onde policiais federais, desde o início da manhã, faziam buscas, com mandado expedido pelo juiz da 3ª Vara Federal Criminal, Lafrêdo Lisboa. Sua saída foi cercada de grande tumulto, promovido por curiosos que o chamavam de ladrão, gritavam palavrões, exibiam cédulas e até cantavam o hino do Flamengo. O ex-presidente é um empresário bem-sucedido e conhecido no mercado brasileiro. Dono do Guaraplus, sua administração à frente do Rubro-Negro, além de títulos conquistados, foi marcada por várias acusações de irregularidades. Ele acabou sofrendo impeachment, em julho do ano passado, por improbidade administrativa. Edmundo assumiu a presidência do Flamengo em janeiro de 1999 ao derrotar Márcio Braga, um dos principais responsáveis pelo movimento que levou à sua destituição do cargo. Os problemas do dirigente começaram com a assinatura da parceria com uma empresa suíça de marketing esportivo, a International Sports License (ISL). O contrato foi celebrado em dezembro de 1999, após muita discussão e acusações de que Edmundo teria ?forçado? a aprovação sem a devida apreciação do Conselho Deliberativo. Em março de 2001, o clube encerrou o vínculo com a empresa, que havia decretado falência. No período da parceria, Edmundo gastou, em apenas seis meses, grande parte dos US$ 80 milhões, cedidos pela ISL, na compra de jogadores. Petkovic foi contratado ao Venezia (Itália) por US$ 6,5 milhões. Tempos depois ficou comprovado que parte deste dinheiro havia sido depositado em paraísos fiscais. Outra transação estranha envolveu o atleta Mozart, do Coritiba, cuja contratação foi anunciada duas vezes. Ele teria custado US$ 7,5 milhões ao Flamengo, o que gerou reclamações de conselheiros do clube, que consideravam o valor muito alto. Edmundo, então, revelou que só havia pago US$ 3,5 milhões e que mentira para ajudar o time paranaense. O dirigente ainda deu passe livre aos atacantes Tuta e Leandro Machado. Juntos, eles haviam custado US$ 10 milhões aos cofres do clube. Em agosto de 2001, Edmundo depôs pela primeira vez na CPI do Futebol do Senado. Ele fôra convocado ao Distrito Federal por causa das irregularidades na administração do Flamengo. Chegou às lágrimas e revelou a existência de uma conta nas Ilhas Cayman, famoso paraíso fiscal. Edmundo não conseguiu comprovar que o dinheiro da conta havia voltado para o Flamengo. O relatório, entregue ao Ministério Público Federal, foi aprovado com cinco pedidos de indiciamento: falso testemunho, no caso Petkovic; lavagem de dinheiro; apropriação indébita; sonegação fiscal e evasão de divisas. O ex-presidente do Flamengo também esteve no centro de outra polêmica: a parceria com o senador cassado Luís Estevão, do Brasiliense, a quem o Rubro-Negro cedeu jogadores a preços baixos. Apesar dos escândalos, Edmundo é um dos presidentes mais vitoriosos do Flamengo. Sob sua administração, o Rubro-Negro foi tricampeão carioca (1999, 2000 e 2001) pela terceira vez, campeão da Copa Mercosul, em 1999, e da Copa dos Campeões, em 2001.

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