Ex-presidente volta ao Olympique

O mundo dá voltas e Bernard Tapie regressa ao Olympique de Marselha. O ex-presidente do time mais popular da França atuará como sócio minoritário e será responsável pelo futebol profissional. O retorno do dirigente afastado e preso por corrupção, alguns anos atrás, foi anunciado nesta terça-feira por Robert-Louis Dreyfsu, atual presidente e acionista principal do clube que dominou o país até a metade dos anos 90. A recondução de Tapie a cargos de comando vem em um momento delicado para o Olympique. O time acumula fracassos, nas duas últimas temporadas, e no momento é apenas o 14 colocado dentre os 18 participantes da Série A francesa. Ainda corre risco de rebaixamento. Dreyfus comprou, em 96, as ações que pertenciam ao ex-presidente, mas justificou sua decisão atual como necessária, em função da crise."Investi o que foi possível para honrar a tradição do clube", explicou. "Os resultados não foram aqueles desejados. Chegou o momento em que devia ter mais aporte financeiro. Por isso, abri as portas para novos investidores e o primeiro que escolhi foi Tapie." Como parte do acordo, ficou estabelecido que Dreyfus mantém o controle do OM, não abre mão de ser presidente, mas delega para Tapie a responsabilidade de reconstruir o time. Tarefa para a qual já mostrou capacidade - embora nem sempre com estratégias transparentes. O Olympique deu enorme salto de qualidade, a partir dos anos 80, e chegou a conquistar cinco títulos franceses em seguida no começo da década de 90. O auge da fama foi atingido em 93, com a Copa dos Campeões da Europa, na final com o Milan. Logo em seguida, no entanto, descobriu-se esquema de arranjos de resultados, no campeonato francês, e o clube foi rebaixado para a Segunda Divisão e também teve anulado o título europeu, o primeiro da história para um time francês. Sobrou ainda para Tapie. O dirigente respondeu a processos esportivos e judiciais e foi condenado nas duas esferas. Na primeira, chegou a ser banido do esporte - decisão revogada em seguida. Na segunda, amargou meses de prisão, em 97, por corrupção. Por conta disso, também teve sua carreira política prejudicada. Agora, volta como salvador da pátria.

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