Ex-preso de Oruro pode ser banido dos estádios de todo o País

Ex-preso de Oruro pode ser banido dos estádios de todo o País

Federação Paulista pretende baixar resolução impedindo entrada de Tiago Aurélio em todas as arenas do Brasil

Raphael Ramos e Vítor Marques, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2014 | 06h00

Tiago Aurélio dos Santos Ferreira pode ser proibido por tempo indeterminado de frequentar os estádios de todo o País. Depois de o Estado revelar que o torcedor participou de uma briga no Itaquerão no dia 21 de setembro, o chefe do Departamento de Segurança da Federação Paulista de Futebol, tenente-coronel Marcos Marinho, disse nesta quarta-feira que vai levantar a ficha de Tiago com as polícias Civil e Militar para baixar uma resolução impedindo a entrada do torcedor nas arenas esportivas.

O documento deverá ser encaminhado para os órgãos de segurança do Estado, CBF e ao Ministério Público Estadual para fiscalização do cumprimento da medida. Marinho também vai enviar o ofício para as outras 26 federações estaduais do País com a orientação de que Tiago seja obrigado a cumprir a punição fora de São Paulo. Assim, o torcedor estaria vetado em todos os estádios do Brasil.

"Toda vez em que tomamos conhecimento que algum torcedor se envolveu em alguma confusão e conseguimos identificá-lo adotamos esse procedimento", disse Marinho.

Tiago é um dos 12 corintianos que foram presos ano passado em Oruro, na Bolívia, acusados da morte do garoto Kevin Espada. Ele foi flagrado no meio da briga entre integrantes das torcidas organizadas Pavilhão 9 e Camisa 12 durante o clássico entre Corinthians e São Paulo pela 23.ª rodada do Campeonato Brasileiro. Imagens obtidas pelo Estado e avaliadas pelo Instituto Brasileiro de Peritos mostram Tiago dando um chute em outro torcedor.

Por causa da confusão, o Corinthians foi multado em R$ 50 mil pelo STJD e perdeu um mando de campo. A pena foi cumprida nesta quarta-feira, na Arena Pantanal, em Cuiabá, contra o Vitória. Tiago se envolveu em outra confusão em fevereiro, quando foi preso após invadir o CT do clube com mais de cem torcedores. Funcionários relataram que foram agredidos e tiveram seus celulares roubados. Um mês depois, a Justiça determinou que Ferreira fosse solto.

Apesar da resolução proibindo a entrada de torcedores brigões nos estádios, Marinho reconhece que a fiscalização é falha. "Muitas vezes eles entram por setores que não precisam apresentar a carteirinha de sócio da organizada ou vão ao estádio com duas camisas, uma em cima da outra, para esconder o uniforme da torcida", disse.

Ao Estado, o Corinthians mantém a posição de que não havia provas que incriminassem Tiago Aurélio dos Santos Ferreira pelos incidentes em Oruro. Portanto, na visão do clube, nesse caso o torcedor era inocente. Mas, agora, o clube disse que defende, uma vez identificado o torcedor, que o poder público tem como obrigação investigar e julgar o caso.

O assunto torcida organizada é tabu no Corinthians. Nem mesmo após episódios como a invasão ao CT, brigas recentes nas novas arenas, como no Mané Garrincha e Itaquerão, o clube critica diretamente o comportamento dessas torcidas.

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