DIV
  DIV

Expediente diário alavanca a seleção brasileira sob o comando de Tite

Rotina de integrantes da comissão técnica, que passaram a ‘bater cartão’ na CBF, é vista como arma do sucesso do time

Ciro Campos, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2017 | 06h00

As atribuições da comissão técnica da seleção brasileira ao longo do ano são, na maior parte do tempo, na sede da CBF, no Rio, bem longe dos gramados. Quando não estão com o elenco, Tite e seus auxiliares se concentram em reuniões de análise de planilhas, estatísticas e vídeos. Essa rotina, inclusive, é apontada como uma das bases do sucesso da equipe, já classificada para a Copa de 2018.

Entre o último jogo pelas Eliminatórias, terça-feira, contra o Paraguai, até a próxima convocação, para amistosos em junho, a comissão técnica da seleção vai cumprir o mesmo expediente diário a partir das 9h na sede da CBF. A comissão passa o dia analisando atletas que estão sendo observados por Tite e também os adversários.

O grupo liderado pelo treinador é de dedicação exclusiva à seleção. Esse regime é novo e foi instituído após a chegada de Tite e do coordenador de seleções, Edu Gaspar. “Conseguimos criar uma dinâmica de trabalho muito legal, com responsabilidades, como qualquer outro funcionário. Todos os dias despachamos da CBF e temos um trabalho minucioso de observação” explica Gaspar.

Também compõem a comissão os auxiliares Cleber Xavier e Matheus Bachi, filho do treinador, e o preparador Fábio Mahseredjian. Todos trabalharam com Tite no Corinthians, assim como o assistente técnico Sylvinho, que mora na Itália. O outro integrante é o preparador de goleiros Taffarel, que saiu do Galatasaray, da Turquia, e trabalha exclusivamente na seleção.

A CBF possui planilhas com os minutos que os jogadores ficam em campo em seus clubes, os intervalos entre uma partida e outra, cargas de treino e suplementação nutricional. Parte do trabalho inclui viagens para conversar com os atletas. “O Taffarel viu meus treinos na Roma e notou que eu precisava melhorar o trabalho com os pés”, conta o goleiro Alisson.

A comissão técnica da seleção também tem buscado se aproximar dos clubes para trocar informações sobre os jogadores. Cada equipe que cede atleta à seleção recebe após a volta do jogador um e-mail com detalhes como carga de treinos, minutos em campo, distância percorrida, porcentual de gordura, tempo gasto em viagem e mudanças de fuso horário.

“Fazemos isso para que eles entendam que somos parceiros e não apenas queremos tirar o jogador dos clubes”, conta Edu Gaspar.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Fábio Mahseredjian fala sobre rotina extra-campo da comissão técnica

Preparador físico da seleção brasileira conversa com o Estado

Entrevista com

Fábio Mahseredjian, preparador físico da seleção brasileira

Ciro Campos, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2017 | 06h00

1. Como é a sua rotina longe dos treinos?

Tentamos acompanhar o tempo jogo de cada atleta pré-selecionado. Tenho uma lista de 35 nomes. Temos cuidado na pré e na pós-convocação. Tento seguir a programação dos clubes para cada jogador, com exercícios corretivos ou preventivos. Mando relatórios aos clubes de tudo o que foi feito na seleção brasileira. O fisiologista do Paris Saint-Germain, por exemplo, nos elogiou muito por esse retorno e disse que nem a seleção francesa faz isso.

2. É possível unificar na seleção a preparação física de jogadores que atuam em ligas tão diferentes?

É muito difícil. Cada país tem as suas peculiaridades. Na China, o campeonato é interrompido 14 dias antes do nosso primeiro jogo, então os convocados de lá chegam ao Brasil para se adaptar ao fuso horário e trabalhar as partes física e técnica. Cada país tem um estilo diferente de treinar e demandas específicas. Um preparador físico uma vez me ligou para que eu desse três gramas de creatina ao dia para um jogador. Esses detalhes são importantes.

3. O seu trabalho inclui também os adversários?

Tenho de analisar o perfil físico dos adversários, para saber, por exemplo, qual lado da defesa é mais lento para se posicionar. Faço um perfil físico individual, com relatórios sobre noção de velocidade, mobilidade e retorno da marcação. Também faço a minutagem deles em campo por seus clubes.

Tudo o que sabemos sobre:
BrasilFutebol

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.