Axel Schmidt/Reuters
Axel Schmidt/Reuters

Experientes ou estreantes, 32 técnicos buscam a Copa do Mundo

Treinadores querem a cobiçada taça e sabem que não é só o tempo no comando que fará diferença; Tite pode bater recorde se renovar

Ciro Campos, enviado especial / Sochi, e Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

15 Junho 2018 | 05h00

SOCHI - Joachim Löw, da Alemanha, e Oscar Tabárez, do Uruguai, são os técnicos que estão há mais tempo no comando de suas seleções para a Copa na Rússia. Ambos assumiram suas equipes em 2006 e estão até hoje. São os treinadores mais longevos à frente de uma seleção classificada para a disputa. No lado oposto, está Fernando Hierro, que foi anunciado na quarta-feira como novo técnico da Espanha após a demissão de Julen Lopetegui. Tem três dias no cargo.

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Claro que apenas a experiência não garante vitória, mas os casos de Uruguai e Alemanha mostram um projeto de longo prazo de suas federações. Löw, por exemplo, era auxiliar de Klinsmann na Copa de 2006 e assumiu o posto logo após o torneio. Desde então, levou o time a ser campeão do mundo em 2014 e ganhou a Copa das Confederações no ano passado.

Aos 58 anos, Löw vai para seu terceiro Mundial como técnico e sabe que entra como um dos favoritos ao título. O caminho ele já conhece, até pela ótima campanha que fez na edição anterior. E, mesmo vitorioso e com experiência, ele destaca que, numa Copa do Mundo, qualquer resultado pode acontecer.

Löw ficou surpreso com a saída repentina de Lopetegui na Espanha, demitido após esconder da Real Federação Espanhol de Futebol que havia acertado com o Real Madrid semanas depois de renovar com a entidade até 2020, mas garante que isso não tira a força do adversário. “Os jogadores da Espanha sabem como jogar e não acredito que vão perder o bom nível e sua categoria”, explicou.

 

Outro veterano na Copa da Rússia é Tabárez, o mais velho de todos. Ele esteve nas duas últimas Copas com o Uruguai e ainda comandou a Celeste no Mundial em 1990. Aos 71 anos, experiente, ele promoveu uma renovação no futebol de seu país, ajudando a melhorar a formação de atletas, e agora colhe os frutos com uma equipe renovada principalmente no meio.

Tabárez faz parte do grupo de 17 profissionais que já têm uma participação em Copa no currículo, seja como técnico ou jogador. Hernán Darío ‘Bolillo’ Gómez, por exemplo, vai para seu terceiro Mundial no comando de uma seleção. Em 1998, esteve à frente da Colômbia. Em 2002, liderou o Equador. E agora vai tentar fazer o Panamá passar de fase em sua estreia na Copa.

Do alto de sua experiência, Bolillo passa muitos conselhos aos seus comandados que pisarão pela primeira vez em um gramado de Copa. “Temos conversado bastante e, nesses momentos, pontuo sobre as grandes diferenças que existem no Mundial. Mais do que a capacidade individual, no futebol é fundamental ter uma boa cabeça, personalidade, foco e acreditar”, diz.

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Mais do que a capacidade individual, no futebol é fundamental ter uma boa cabeça, foco e acreditar.
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Hernán Gómez, técnico do Panamá

No lado oposto desta turma, está Tite, que vai para sua primeira Copa com um friozinho na barriga. O comandante da seleção sabe que lidera um elenco talentoso e experiente internacionalmente, mas tem a pressão de minimizar o fiasco de quatro anos atrás do time que ainda tem a marca dos 7 a 1 na pele. Se ficar com a taça, resgata parte da alegria do torcedor.

O treinador brasileiro admite estar bem atrás de colegas quando o tema é conhecimento e tempo no cargo na seleção. Tite lamentou diversas vezes que os quase dois anos na função lhe impedem de conhecer a fundo particularidades e preferências de jogadas dos seus atletas, além de possíveis combinações de escalações e de entrosamento entre seus escolhidos.

Para compensar essa situação, ele investe em muita conversa. Tite costuma telefonar para os jogadores e trocar mensagens para entender papéis táticos deles em seus clubes e se conseguiriam reproduzir na seleção função parecida em outro contexto. Em reuniões, ele mostra aos jogadores lances específicos feitos em seus times e, em cima de exemplos, tenta ganhar tempo para explicar o que deseja deles.

De qualquer maneira, Tite e os outros 31 técnicos têm apenas um objetivo em mente: colocar a mão na taça de campeão ao final da competição. A história já mostrou que tem comandante de primeira viagem que consegue e treinador rodado que cai pelo caminho. No dia 15 de julho, saberemos quem ganhou essa corrida.

Tite pode bater recorde se renovar

Tite se encaminha para quebrar um paradigma na seleção brasileira. Em uma equipe de histórico de pouca manutenção de comandantes do ciclo de uma Copa a outra, o atual treinador é o favorito a bater o recorde de permanência no cargo, pois deve renovar contrato depois do Mundial da Rússia e assegurar a continuidade pelo menos até a Copa no Catar, em 2022. 

Se isso se confirmar, serão seis anos de Tite no comando. O treinador mais longevo na história da seleção é Flávio Costa, que ficou no comando por mais de cinco anos, entre janeiro de 1945 até a derrota na final da Copa do Mundo de 1950, em julho daquele ano. Somente Zagallo conseguiu dirigir o Brasil por duas competições consecutivas (1970 e 1974) da Fifa, feito que pode ser repetido por Tite.

A exemplo da cultura existente nos clubes do futebol nacional, a seleção não costuma ter paciência com tropeços de treinadores. Geralmente a permanência dura até somente a próxima edição. Quem não ganha, perde o emprego. Simples assim. Já quem vence a disputa opta por encerrar o trabalho em alta, evitar o desgaste e procurar outros desafios na carreira.

Os dois últimos campeões mundiais pelo Brasil, Carlos Alberto Parreira (1994) e Luiz Felipe Scolari (2002), fizeram isso logo depois de garantir o título. Ambos, no entanto, tiveram nova passagem pelo cargo anos depois e acabaram vítimas do sistema de rotatividade de treinadores, ao saírem após fracassarem na tentativa de busca do hexa. A continuidade de Tite na seleção é bastante provável. O contrato atual termina depois do Mundial, porém há um entendimento prévio para prolongar a passagem do técnico. 

 

 

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