Ali Haider / EFE
Ali Haider / EFE

Palmeiras faz neste sábado a sétima final sob o comando de Abel Ferreira em 15 meses

Técnico português ganhou três taças em pouco mais de um ano e busca em Abu Dabi o título do Mundial de Clubes, considerado o Santo Graal para os palmeirenses

Ricardo Magatti, enviado especial a Abu Dabi, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2022 | 10h00

Abel Ferreira pode dizer para os torcedores e sua família que já viveu tudo à frente do Palmeiras. Em um ano e três meses, o técnico português conquistou três títulos, dois deles continentais, e também lidou com insucessos, caso da campanha no Mundial de Clubes passado, no Catar. Em Abu Dabi, ele tem a oportunidade de conduzir a equipe ao tão pretendido título do torneio da Fifa. Em 15 meses de Palmeiras, será a sua sétima final, algo inédito na história do clube alviverde em um período tão curto.

Estudioso, dedicado e vaidoso, Abel deu ao Palmeiras dois títulos da Libertadores, torneio que o time havia ganhado somente uma vez antes da chegada do português. Também faturou a Copa do Brasil de 2020. "Minha missão no Palmeiras é ganhar, valorizar o clube, os jogadores e ganhar títulos. Ganhamos alguns, o valor do plantel quase dobrou e hoje a saúde financeira está estável", enfatizou o comandante palmeirense em entrevista em Abu Dabi.

Ele disputa uma final a cada 56 dias. Apenas Luiz Felipe Scolari comandou a equipe em mais decisões. Foram dez: Copa do Brasil em 1998 e 2012, Mercosul em 1998 e 1999, Libertadores em 1999 e 2000, Rio-São Paulo em 2000, Brasileirão em 1997, Paulista em 1999 e Mundial, também em 1999.

Abel também amargou duras derrotas, críticas contundentes e ficou perto de deixar a equipe. Reveses na decisão do Campeonato Paulista, Recopa Sul-Americana, Supercopa do Brasil e Campeonato Paulista o deixaram pressionado. Todos insucessos aconteceram em 2021, ano que fez o técnico viver a gangorra de emoções que é treinar o Palmeiras. Também teve a pior campanha de um sul-americano em um Mundial ao terminar em quarto com dois resultados ruins - para Tigres e Al Ahly, este último nos pênaltis. 

Essas duras derrotas e a eliminação precoce para o CRB na Copa do Brasil colocaram em xeque o seu trabalho. A Mancha Alviverde, principal organizada do clube, chegou a pedir a saída do treinador publicamente, com postagens e pichações no muro da sede social do clube, mas ele ganhou o suporte da diretoria. Continuou seu trabalho, avisou que sabia quem eram os verdadeiros palmeirenses e conduziu o time a outro título continental, em novembro passado, derrotando o então favorito Flamengo no Uruguai.

Valorizado

A taça continental deu a Abel Ferreira a valorização que poucos colegas têm no Brasil. Ele ganhou um aumento e ouviu dos dirigentes o desejo em ampliar seu contrato, o que não foi feito. Seu vínculo termina no fim deste ano.

Tantas finais em um curto período de tempo representam o sucesso do Palmeiras, mas também um problema: o cansaço provocado pelo exaustivo calendário de jogos, alvo de sucessivas críticas do treinador ao futebol brasieiro. "Se eu ficar até o fim do ano no Brasil, não terei uma semana limpa para trabalhar até novembro. A cada dois ou três dias, tenho jogo. Quando vejo o Guardiola e Klopp a se queixarem, que estão matando os jogadores, se quiserem desafiar a si próprios e seus métodos de trabalho, que venham competir no Brasil, para ver como as coisas funcionam neste nível", desafiou o português.

"As desculpas não ajudam a crescer. Como jogador ou treinador, me habituei a fazer mais com menos", ponderou o empenhado e persistente profissional. Ele diz, quando acha oportuno, que veio "de baixo" e o que conquistou é resultado de seu esforço.

Essa capacidade de fazer mais com menos envolve humildade e dedicação em dobro, ele entende. Implica em compensar a inferioridade técnica com vontade. Adepto da meritocracia em suas escolhas no futebol, o português dirige um grupo coeso, consciente do que quer e fortalecido após a sequência de decisões em poucos meses.

"As equipes que querem ganhar títulos não fazem o que querem, fazem aquilo que é preciso. É isso que falo para os meus jogadores", frisou. Nos treinos em Abu Dabi, é possível notar Abel pensativo, calmo e paciente. Seus auxiliares comandam as atividades e ele passa as instruções necessárias. 

Personagem de discurso direto e eloquente, o jovem treinador é capaz de passar com clareza suas ideias para o elenco que tem nas mãos. Sob o seu comando, os atletas evoluíram e hoje estão mais maduros. O lema "todos somos um" virou mantra e o tão difundido "cabeça fria e coração quente" se tornou combustível na busca pelas vitórias. Ele soma 54 vitórias, 18 empates e 26 derrotas em 98 partidas. Espera que o triunfo de número 55 seja contra o Chelsea neste sábado.

Nos Emirados Árabes, cabe a ele a missão de conduzir o clube à conquista do Mundial, tratado como o Santo Graal do futebol para os sul-americanos, título que não tem o Palmeiras, desconsiderando a Copa Rio de 1951. A decisão contra o atual campeão europeu será sábado, às 13h30 (de Brasília) no Mohammed Bin Zayed Stadium. Será um confronto de Davi x Golias, na avaliação do treinador palmeirense.

Abel esteve no estádio para e assistiu ao lado dos analistas de desempenho do clube ao desempenho oscilante do Chelsea diante do Al Hilal. Os ingleses cansaram sobretudo no segundo tempo e sofreram para sustentar a vantagem de 1 a 0 construída com gol de Lukako no primeiro tempo. Certamente o português detectou as fragilidades do rival e também os pontos fortes a serem anulados.

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