Exportação de juniores ajuda São Paulo

A diretoria do São Paulo apresentou, nesta terça-feira, à imprensa, o balanço financeiro do ano, comemorando o fato de não ter dívidas, apesar de pouca "gordura" em caixa. Um dos principais fatores para que isso esteja ocorrendo, embora passe despercebido do grande público, é a exportação em potencial de jovens atletas, ainda anônimos.Essa ?criançada? nem sequer teve oportunidade entre os profissionais, mas já desfila pelos gramados europeus. Alguém conhece os ex-são-paulinos Marquinhos, Paulinho ou Juan? É possível até que dêem autógrafos na Holanda ou na Inglaterra, mas, em São Paulo, passeariam num shopping center sem ser notados.O trabalho nas categorias de base do clube é forte, eficiente, e se tornou um grande meio de se fazer dinheiro. Excelente para os cofres do clube, ruim para a equipe, que não chega a ser reforçada por boa parte dessas jovens promessas. Há alguns meses, o garoto Juan, um lateral-esquerdo que completou 19 anos, defende o Arsenal, da Inglaterra. "O Arsenal nos procurou e fez uma proposta. Recebemos US$ 200 mil no ato e temos direito a 15% do valor de uma futura negociação", contou o presidente Paulo Amaral.O atleta já teve oportunidade no profissional do Arsenal há poucas semanas, numa partida da Worthington Cup. Jogou bem e foi elogiado pela imprensa local.Segundo Amaral, o dinheiro não era desprezível e o jogador receberia bem mais na Europa. "É difícil segurar um atleta, os europeus oferecem salários bem maiores." A cada dez partidas que Juan joga no time profissional, os ingleses pagam mais US$ 200 mil ao São Paulo, conforme acordo feito. "E o Juan não vinha sendo muito aproveitado nos juniores."Juan foi visto num torneio que a equipe paulista disputou em Amsterdã, na Holanda, no fim de 2000, e atraiu interesse do futebol da Inglaterra. O mesmo ocorreu com o volante Paulinho, de 18 anos, que viajou com o colega. Ele foi negociado por cerca de US$ 100 mil. "São meus melhores amigos em Londres", contou Edu, ex-Corinthians, atualmente no Arsenal.São inúmeros os casos de jovens que deixaram o São Paulo precocemente. No ano passado, por exemplo, o atacante Marquinhos, 19 anos, saiu do Morumbi para vestir a camisa do PSV, da Holanda. Sua transferência rendeu aos cofres do Tricolor US$ 500 mil. Muitos menores também abandonaram o País nos últimos anos e, em diversos casos, houve problemas com documentação. Para que troquem de país, é necessário que os pais e o Juizado de Menores assinem uma carta de autorização.O empresário que intermediou as três negociações envolvendo o São Paulo foi o carioca Eduardo Duram. Ele disse que sempre dá assistência aos atletas que viajam para a Europa e só escolhe clubes que incentivam o desenvolvimento do jovem, como Arsenal e PSV. "Na Itália e na Espanha, por exemplo, é mais complicado. Os atletas ficam jogados em equipes menores, na Segunda ou na Terceira Divisão."No caso de Juan e Marquinhos, os clubes o procuraram para fazer proposta. Paulinho foi oferecido e os europeus aceitaram ficar com ele. "A vontade do jogador é explodir no Brasil para depois ir para a Europa, mas, se isso ocorre com 18 anos, melhor ainda."

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